Seca de rios globais em 2025 foi uma das piores já registradas

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 18/09/2026 07:01
Seca de rios globais em 2025 foi uma das piores já registradas

Foto: via Folha de S.Paulo

A OMM (Organização Meteorológica Mundial), agência da ONU, alertou nesta quinta‑feira (17) sobre o declínio contínuo dos recursos hídricos do planeta, destacando que o uso excessivo e a mudança climática têm se refletido na redução da vazão dos rios, retração das geleiras e queda dos níveis de aquíferos.

Segundo o relatório “Estado Global dos Recursos Hídricos”, o ano de 2025 ficou entre os anos mais secos para os rios do globo nos últimos 35 anos; mais de um terço das bacias hidrográficas mundiais registrou vazões abaixo da média histórica, e o volume de água que corre pelos rios globais atingiu um dos três menores níveis do período analisado.

O documento evidencia que os recursos hídricos globais vêm se tornando mais escassos nos últimos anos, com diminuição das vazões dos rios, retração das geleiras e queda dos níveis de águas subterrâneas em diversas regiões; o armazenamento de água nos continentes — que inclui aquíferos, lagos, solos, vegetação, neve e gelo — está em declínio contínuo há mais de uma década.

A OMM advertiu que essa tendência tem “sérias implicações futuras”, pois essas reservas funcionam como proteção natural contra períodos prolongados de seca.

As mudanças climáticas provocadas pela atividade humana, o aumento da demanda por água associado ao crescimento da população mundial e a variabilidade natural do clima estão entre os fatores que explicam as alterações observadas nos recursos hídricos, de acordo com Wayne Jenkinson, diretor da divisão de Hidrologia e Criosfera da organização.

Embora alguns componentes do ciclo hidrológico — como chuvas, vazão dos rios e umidade do solo — respondam rapidamente às condições meteorológicas, outros atuam como reservas de longo prazo.

A secretária‑geral da OMM, Celeste Saulo, demonstrou preocupação especial com a redução das reservas mais lentas, como as águas subterrâneas e as geleiras, afirmando que historicamente esses recursos ajudavam a evitar que uma estação seca se transformasse rapidamente em crise hídrica. “Estamos esgotando essa poupança”, declarou Saulo, acrescentando “Estamos consumindo nossas reservas”.

Em comunicado que acompanhou o relatório, Saulo destacou que o armazenamento global de água nos continentes vem apresentando tendência persistente de queda desde o período entre 2014 e 2016.

O quadro das águas subterrâneas é particularmente alarmante: quase dois terços dos poços monitorados no mundo apresentaram, em 2025, níveis de água abaixo da média de longo prazo. A Europa Central e Oriental esteve entre as regiões mais afetadas, registrando déficits expressivos em comparação com a média observada entre 2014 e 2024; poucas regiões apresentaram deterioração tão acentuada.

Em contraste, grande parte dos aquíferos do norte da Europa registrou níveis superiores à média histórica.

Além da escassez observada em diversas áreas, algumas bacias hidrográficas apresentaram excesso de água, especialmente em partes do sul da Ásia, refletindo um ciclo hidrológico cada vez mais errático e imprevisível, segundo a OMM.

As geleiras continuam encolhendo em ritmo acelerado, reforçando a tendência de diminuição das reservas de água de longo prazo.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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