São Paulo Aposta em Batata-Doce para Ampliar Produção de Etanol e Biometano

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 22/07/2026 18:44
São Paulo Aposta em Batata-Doce para Ampliar Produção de Etanol e Biometano

Foto: via Canal Rural

O governo de São Paulo formaliza, nesta quinta-feira, durante a abertura da Batatec 2026, em Presidente Prudente (SP), uma parceria tecnológica para desenvolver novas cultivares industriais de batata-doce voltadas prioritariamente à produção de etanol e biometano. O acordo será assinado entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto Agronômico (IAC-Apta), e a Agropecuária Vista Alegre, empresa do Grupo Better Beef.

A iniciativa busca aproximar a pesquisa científica das demandas da indústria, ampliando o potencial da cultura como matéria-prima para a geração de combustíveis renováveis. A cooperação prevê projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além do intercâmbio de pesquisadores e da troca de conhecimento técnico entre as instituições.

Segundo o governo paulista, a proposta é combinar a experiência do IAC em melhoramento genético com o conhecimento do setor produtivo sobre as características agronômicas e industriais necessárias para elevar o desempenho da batata-doce na produção de bioenergia. O Instituto Agronômico já desenvolve cultivares de batata-doce com foco em produtividade, uniformidade das raízes, resistência a doenças e adaptação às diferentes condições de cultivo do Estado.

Com o novo acordo, os pesquisadores passarão a priorizar materiais voltados ao processamento industrial, buscando características como elevado teor de matéria seca e amido, melhor rendimento para produção de etanol. Além disso, os estudos também avaliarão o aproveitamento da biomassa e dos resíduos do cultivo e do processamento para a geração de biogás e biometano, ampliando o potencial energético da cultura.

Outro objetivo da parceria é testar as novas cultivares em condições comerciais de produção, aproximando os resultados obtidos em laboratório da realidade do campo e da agroindústria. O IAC é uma das principais instituições brasileiras no desenvolvimento de cultivares de batata-doce, com um programa de melhoramento genético que atende diferentes segmentos, incluindo alimentação, indústria, biofortificação e mercado ornamental.

Entre os materiais desenvolvidos recentemente está a IAC Dom Pedro II, cultivar biofortificada que apresenta concentração de carotenoides 64,71 vezes superior à das variedades de polpa branca mais cultivadas no Estado de São Paulo e produtividade 48,6% maior que a principal cultivar utilizada pelos produtores paulistas.

O protocolo de cooperação terá vigência inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado. O acordo não prevê transferência de recursos financeiros entre as instituições, sendo que cada parte será responsável pelos custos das atividades sob sua responsabilidade.

A parceria complementa outra iniciativa firmada entre o Governo de São Paulo e a Agropecuária Vista Alegre durante a Feicorte 2026. Na ocasião, a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) assinou um protocolo de intenções para avaliar a implantação de projetos produtivos em assentamentos estaduais do Oeste Paulista.

A proposta prevê estudos para o cultivo de 150 hectares de batata-doce destinados à produção de etanol e biometano, além de 80 hectares de eucalipto para geração de biomassa. O projeto poderá beneficiar cerca de 45 lotes rurais, promovendo geração de renda e integração entre agricultores, pesquisa e agroindústria.

São Paulo é o maior produtor brasileiro de batata-doce. Em 2025, o estado colheu 149,5 mil toneladas, movimentando R$ 183,95 milhões em Valor da Produção Agropecuária (VPA), segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta). A região administrativa de Presidente Prudente concentra a maior parte dessa produção, com 81,5 mil toneladas colhidas no ano passado.

A Batatec 2026, realizada entre os dias 23 e 26 de julho, no Centro de Eventos do IBC, em Presidente Prudente, chega à sua sétima edição com expectativa de receber cerca de 80 mil visitantes. Durante a feira, o IAC apresentará pesquisas, materiais genéticos de alta produtividade e cultivares biofortificadas, além de variedades ornamentais.

Com informacoes de Canal Rural.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

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