Roteiristas de 'Fauda' afirmam que a guerra em Gaza incendiou a necessidade de contar nova temporada
Na manhã de 7 de outubro de 2023, uma mulher ligou de um abrigo em um kibutz próximo à Faixa de Gaza pedindo socorro; ela conseguiu se salvar por conta própria.
Dois dias depois, o roteirista Raz e seu parceiro Avi Issacharoff, ambos veteranos de uma unidade militar semelhante à mostrada na série, juntaram‑se a dezenas de voluntários em um ponto de encontro no sul de Israel para receber nomes e números de residentes de comunidades fronteiriças que precisavam ser evacuados.
Enquanto foguetes eram lançados de Gaza, eles percorreram a noite em um SUV, recolhendo desconhecidos; uma das mulheres resgatadas reconheceu o personagem Doron de 'Fauda', pediu uma selfie e exclamou: "Meu Deus, é o Doron de ‘Fauda’!".
A quarta temporada da série foi lançada nove meses antes, encerrando-se com os protagonistas gravemente feridos após uma missão fracassada; os criadores deixaram o final aberto por indecisão sobre a continuidade, mas o massacre de 7 de outubro gerou uma missão urgente.
Em entrevista telefônica, Raz descreveu a nova temporada como "talvez a coisa mais importante que já escrevemos"; Issacharoff acrescentou em seu escritório em Tel Aviv que "era algo que queimava dentro de nós, precisávamos colocar para fora".
O lançamento ocorre enquanto artistas e produções culturais israelenses enfrentam boicotes no exterior por causa da resposta ao ataque de 7 de outubro, que destruiu grande parte de Gaza e resultou em mais de 70 mil mortes palestinas.
A trama da nova temporada evita quase totalmente o cenário de Gaza, deslocando‑se entre Europa, Israel e outros pontos do Oriente Médio, pois os roteiristas priorizaram o público interno.
Durante as filmagens, o integrante da equipe Matan Meir morreu em combate em Gaza e o ator Idan Amedi ficou gravemente ferido.
A série estreou em maio na emissora a cabo israelense Yes, tornando‑se a produção mais assistida da história da rede, e os criadores deixaram claro que não buscaram agradar ao público internacional.
Personagens de esquerda e pró‑palestinos são retratados como "idiotas úteis" que se voluntariam como bucha de canhão; Issacharoff comentou que quem usa keffiyehs sem entender seu significado ou grita slogans sobre rios e mares demonstra ignorância, e admitiu que pode ser rotulado como anti‑Israel ao criticar ações israelenses em Gaza.
Os criadores permanecem apreensivos quanto à recepção mundial da série na Netflix, temendo que a abordagem crua da realidade israelense choque audiências globais.
Com informacoes de O GLOBO.

