Rio Trichuli transborda e arrasta cidade inteira no Nepal; morte supera 780 pessoas
O número de mortos na tragédia ocorrida nos Himalaias ultrapassa 780 vítimas, após o rio Trichuli transbordar de forma violenta e levar a cidade de Trishuli ao colapso total, deixando casas, ruas e construções completamente soterradas por lama.
Em campo, o repórter Felipe Pessanha registrou a magnitude da destruição e ouviu moradores que ainda buscavam parentes desaparecidos. “Daqui a gente tem uma noção do tamanho da devastação. Olha nosso tamanho perto disso daqui. Seria impossível fugir. Isso aqui era uma cidade inteira que foi levada pelo rio”, afirmou.
A região onde ficava a vila de Trishuli foi tomada pela destruição. O centro da cidade, onde funcionava um bazar movimentado no momento da enxurrada, foi atingido; casas ficaram totalmente cobertas de lama, um banco foi destruído e a lama alcançou altura próxima ao terceiro andar de um prédio. Um caminhão estacionado na rua também foi carregado pela lama e acabou destruído.
Um homem contou ao repórter que atravessou uma ponte e, quinze minutos depois, ela foi levada pela enxurrada, deixando sua família do outro lado sem possibilidade de reencontro. Sem ter onde morar, ele permaneceu no centro da cidade à procura de notícias.
Em meio ao caos, moradores também enfrentaram a ameaça de saques. Imagens de drone mostraram pessoas entrando em casas para retirar objetos. Um comerciante relatou que perdeu tudo e viu sua loja sendo saqueada nas imagens. Outro homem tentou abrir o cofre de um banco, acreditando que o dinheiro ainda estava intacto e afirmando possuir a chave.
Corpos ainda permanecem enterrados na lama. O Nepal, localizado em um vale aos pés do Himalaia, possui grandes quantidades de neve, gelo e geleiras que, no verão, derretem. Cientistas citados na reportagem apontam que a velocidade de derretimento dobrou em relação ao passado. Um vídeo obtido pelo jornal The New York Times mostra o momento em que um bloco de gelo se desprende da montanha, sendo apontado pela maioria dos especialistas como causa da tragédia.
O bloco atingiu o chão com força suficiente para que moradores inicialmente acreditassem tratar‑se de um terremoto. Em seguida, iniciou‑se uma avalanche que se misturou a toneladas de pedras, sedimentos e rochas, bloqueando alguns rios. Com a pressão acumulada, os bloqueios se romperam, liberando água em alta velocidade que provocou a destruição.
Imagens de satélite exibem o antes e o depois das áreas atingidas. A tragédia ocorreu durante um feriado sagrado da religião hindu, quando a região recebia grande fluxo de peregrinos.
Corpos de desaparecidos foram encontrados até na Índia. A falta de eletricidade, telefone e internet em toda a região dificultou a comunicação e a localização de pessoas desaparecidas.
Na base do Exército do Nepal, parentes de sobreviventes consultavam uma lista com os nomes das pessoas resgatadas. Um homem apareceu com foto do irmão e relatou ter visto um vídeo do carro do irmão, acreditando que ele ainda poderia estar vivo. O Exército permitiu que a equipe do Fantástico acompanhasse parte dos resgates, enquanto helicópteros traziam sobreviventes.
Entre os resgatados estava uma mãe com um bebê de apenas um mês de idade, retirados de uma das regiões mais remotas, próxima à fronteira com o Tibete.
Um jovem também foi levado para atendimento médico após ser resgatado de um túnel de hidrelétrica onde trabalhava como motorista de caminhão que transportava quinze funcionários. Ele conseguiu sair do caminhão e nadar até a superfície da lama, mas acredita que todos os colegas tenham morrido. A força dos rios atingiu fortemente a região, que possui várias hidrelétricas.
Várias pessoas foram resgatadas de túneis em construção. Um homem de 84 anos foi retirado da área afetada após sua casa ser completamente destruída; ele e a família passaram a noite em claro até serem socorridos, e, devido a problemas de saúde, necessitaram de cuidados especiais.
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Com informacoes de G1.

