Retatrutida: medicamento sem aprovação é vendido ilegalmente no Brasil
A retatrutida, um medicamento que promete perda de peso semelhante às cirurgias bariátricas, está sendo vendido ilegalmente no Brasil, apesar de não ter aprovação em nenhum país. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a retatrutida está em fase 3 de estudos clínicos e ainda não foi avaliada ou aprovada por nenhuma autoridade regulatória no mundo.
Segundo a Anvisa, a retatrutida é um agonista triplo que atua sobre os receptores GLP-1, GIP e glucagon, e tem sido promovido como um tratamento para obesidade e diabetes tipo 2. No entanto, a empresa responsável pela molécula, a Eli Lilly, confirmou que a retatrutida ainda não foi avaliada ou aprovada por nenhuma autoridade regulatória e que não pode ser comercializada.
Além disso, a Lilly classificou como prematuro especular sobre prazos de aprovação ou comercialização e afirmou que a molécula somente será considerada para submissão regulatória após a conclusão e avaliação dos estudos clínicos.
As apreensões de medicamentos falsificados na fronteira brasileira estão aumentando rapidamente, com o valor retido só nos três primeiros meses de 2026 já superando R$ 11 milhões, mais do que o total apreendido em todo o ano de 2025.
A Anvisa reforçou que comprar ou usar medicamento sem registro sanitário não é só um risco à saúde, mas também pode configurar crime. A orientação da Anvisa e da própria Lilly é não adquirir nem usar, em nenhuma hipótese, produtos vendidos como retatrutida fora de estudos clínicos oficiais.
Medicamentos da mesma classe já aprovados e registrados no Brasil, como semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro), seguem como opção avaliada por médico, considerando histórico de saúde, outras condições e riscos individuais.
A Lilly também alertou sobre os riscos ligados à cadeia de conservação térmica, sem refrigeração adequada, o produto pode precipitar substâncias e gerar reações alérgicas ou compostos tóxicos para órgãos como fígado, coração e cérebro, além de reações inflamatórias locais.
A retatrutida pertence à mesma família de remédios que popularizou o Ozempic, o Wegovy e o Mounjaro, mas com uma diferença de mecanismo: enquanto a semaglutida age sobre o hormônio GLP-1 e a tirzepatida combina GLP-1 e GIP, a retatrutida atua sobre três receptores ao mesmo tempo, somando o glucagon.
A aposta dos pesquisadores é que essa ação tripla amplie tanto a perda de peso quanto os efeitos metabólicos, na comparação com remédios que atuam em um ou dois desses caminhos. O estudo de fase 3 TRIUMPH-1, que acompanhou mais de 2,3 mil adultos com obesidade ou sobrepeso associado a alguma comorbidade, é a base mais robusta até aqui.
A pesquisa apontou reduções de 60,6% na gravidade da apneia do sono e de até 73,1% na dor da osteoartrite no joelho entre os participantes com essas condições, além de melhoras em indicadores ligados a risco cardiovascular, como circunferência abdominal, triglicerídeos, pressão arterial e inflamação sistêmica.
Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais — náusea, diarreia, constipação, vômitos —, e o abandono do tratamento cresceu junto com a dose: 4,1% entre quem usou 4 mg, 6,9% na dose de 9 mg, 11,3% na de 12 mg, contra 4,9% no placebo.
A farmacêutica classifica o mercado ilegal de produtos falsificados para obesidade como 'criminoso e perigoso' e recomenda 'enfaticamente' que os pacientes o evitem, além de cobrar das autoridades medidas para coibi-lo.
A Lilly afirma que pacientes que recorrem a esses produtos 'não têm qualquer garantia sobre o que esses produtos contêm ou sobre as condições de segurança em que foram fabricados'.
A empresa também classifica como prematuro especular sobre prazos de aprovação ou comercialização e afirma que a molécula somente será considerada para submissão regulatória após a conclusão e avaliação dos estudos clínicos.
Com informacoes de G1.

