Crédito Estruturado Ganha Espaço no Mercado Brasileiro
O mercado de crédito estruturado deve ocupar um espaço cada vez maior no financiamento das empresas brasileiras e também nas carteiras dos investidores. Gestores do setor avaliam que o avanço da educação financeira, aliado às limitações do crédito bancário tradicional, tem impulsionado o crescimento de instrumentos como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e vêm ampliando sua participação no mercado de capitais.
O tema foi debatido durante o painel “Crédito Estruturado: a nova fronteira de geração de alpha”, na Expert XP, maior evento de investimento do mundo, que reuniu Samer Serhan, sócio e CIO da área de crédito privado e infraestrutura da JiveMauá, Leandro Bezerra, sócio da área de Parceirias e Fundos da XP, João Peixoto, CEO da Ouro Preto Investimentos, e PH Pacheco, Diretor de crédito do ASA.
Para Serhan, o ambiente econômico brasileiro exige soluções mais sofisticadas tanto para empresas quanto para investidores. “O Brasil está cada vez mais desafiador para o empresário e para o investidor. Ter alternativas para financiar o crescimento das empresas é importante. Ao mesmo tempo, o brasileiro vem evoluindo em educação financeira e está cada vez mais propenso a investir em operações estruturadas.” Na visão do gestor, o desenvolvimento desse mercado é um movimento natural para uma economia que busca ampliar as fontes de financiamento além do sistema bancário.
FIDCs ampliam espaço no mercado de capitais. Peixoto avalia que os FIDCs representam uma das maiores transformações recentes do mercado de crédito brasileiro. “Muita gente ainda não percebeu que o FIDC é uma grande disrupção. Ele está fazendo o mercado de crédito sair do sistema bancário para o mercado de capitais.” Segundo ele, a indústria ainda está longe do seu potencial máximo, mas tende a alcançar um público muito maior nos próximos anos.
De acordo com PH Pacheco, as maiores oportunidades de retorno deixaram de estar no crédito tradicional. “Se olharmos o mercado de crédito high grade, ele já atingiu um nível muito alto de eficiência. Há pouco espaço para encontrar assimetrias e prêmios relevantes.” Segundo ele, justamente por serem mais concentrados e às vezes ‘não ter tanto apetite’, os bancos acabam deixando de atender determinados perfis de operações. “O FIDC funciona como uma canalização de funding para segmentos que os bancos tradicionais não atendem, seja por limitação regulatória ou por falta de apetite.”
Ao abordar a gestão das carteiras, Serhan diz que a qualidade da análise do devedor costuma ser mais importante do que a própria garantia da operação. “Existe uma máxima: devedor bom nem contrato precisa; devedor ruim nem contrato segura.” Segundo ele, embora as garantias acelerem a recuperação de crédito, o diferencial está no acompanhamento constante das empresas. “Mais importante do que a garantia é entender a reputação do empresário e como ele reage diante das dificuldades.”
Para os gestores, o crédito estruturado ainda está apenas no início de sua trajetória de desenvolvimento no Brasil. PH Pacheco diz que o estoque de operações de nicho continua elevado e que os spreads dificilmente serão comprimidos no curto prazo. “Quando descemos para ativos não padronizados, o estoque de oportunidades é gigantesco. Esse spread ainda deve permanecer elevado por bastante tempo.” Samer Serhan acrescentou que o mercado brasileiro ainda apresenta baixo nível de alavancagem quando comparado às economias desenvolvidas. “Hoje temos aproximadamente R$ 4 trilhões de crédito para um PIB de R$ 10 trilhões. Em países desenvolvidos, a alavancagem das empresas gira perto de 75% do PIB. Antes de os spreads caírem, ainda existe muita oportunidade para esse mercado crescer.”
Com informacoes de InfoMoney.

