Recuperações Extrajudiciais no Brasil: Um Novo Caminho para Empresas Endividadas
O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, com dívidas de R$65,1 bilhões, chamou a atenção do mercado em 2026, mas não é um caso isolado. Devido aos juros altos, um número crescente de empresas brasileiras está buscando negociar com credores fora dos tribunais, evitando custos associados à recuperação judicial.
Os pedidos de recuperação extrajudicial aumentaram significativamente, de 16 em 2021 para 84 no ano passado, envolvendo setores como indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística, de acordo com o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). Em 2026, até o momento, 33 empresas seguiram o mesmo caminho, refletindo o impacto da taxa básica de juros, que está em 14,25% ao ano.
Esse movimento também se deve a uma reforma em 2020 que fortaleceu o mecanismo no Brasil, gerando uma mudança cultural, afirma Juliana Biolchi, diretora do Obre. A atualização tornou as reestruturações extrajudiciais mais flexíveis, permitindo que as empresas excluíssem algumas classes de credores e incentivando o início mais precoce das negociações de dívida.
Reestruturações judiciais são complexas e custosas, envolvendo todos os credores, afetando a reputação da companhia e o acesso às linhas de crédito, além da manutenção do negócio em si, disse Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital. Já a reestruturação extrajudicial permite que empresas em dificuldades negociem diretamente com grupos selecionados de credores.
Casos recentes incluem a rede varejista Casas Bahia, que obteve aprovação judicial para uma reestruturação extrajudicial no valor de cerca de R$4,1 bilhões em 2024, e a rede de lojas de móveis Tok&Stok. O grupo varejista GPA também solicitou aprovação para reorganizar uma dívida de cerca de R$4,5 bilhões em março.
Empresas do setor agrícola, com elevado endividamento, também adotaram o processo, mostrando que seu uso se alastra por vários setores da economia brasileira. O endividamento das empresas que pediram recuperação extrajudicial este ano foi superior a R$109 bilhões em 2026, comparado a R$41,5 bilhões em 2024.
Os especialistas acreditam que o número de reestruturações extrajudiciais ainda vai aumentar nos próximos meses. A Oncoclínicas, maior empresa de tratamento oncológico da América Latina, está entre as empresas considerando essa possibilidade, de acordo com reportagens da mídia local e uma pessoa a par das discussões.
Com informacoes de InfoMoney.

