Presidenciáveis de 2026 apontam ajuste fiscal para reduzir juros, mas detalhes permanecem escassos
Os concorrentes à Presidência da República nas eleições de outubro identificam a elevada taxa de juros como um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico sustentável, defendendo a necessidade de ajustar as contas públicas para retornarem ao azul, algo não observado de forma recorrente desde 2013.
Esse diagnóstico coincide com análises do setor privado que apontam o crescimento da dívida pública – que alcançou o maior nível desde a pandemia – como fator que impede a redução dos juros, atualmente os mais altos do mundo em termos reais. Embora o consenso seja semelhante, os caminhos propostos para enfrentar o desequilíbrio fiscal e a intensidade do ajuste variam entre as candidaturas, e os programas de governo, embora apresentem linhas gerais para retomar superávits, não detalham os mecanismos de execução. As propostas incluem reformas genéricas em despesas obrigatórias, medidas tradicionalmente impopulares e de implementação politicamente complexa.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o portal apresenta as propostas dos cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto – Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) – baseadas nos programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No programa de governo apresentado pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um eventual quarto mandato, destaca‑se a afirmação de que a economia registrou crescimento médio de 3 % nos últimos anos e que a taxa de juros “é hoje o que a inflação foi no passado no Brasil: promove concentração de renda e desorganiza a nossa economia”. O governo indica que, entre 2023 e 2026, realizou um “enorme esforço fiscal” equivalente a 2 % do PIB, ou R$ 240 bilhões, e sinaliza a continuidade desse ajuste com gradualismo em um novo mandato. Segundo a proposta, o resultado fiscal virá “da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções”, incluindo aumento de arrecadação via elevação de tributos e cortes de benefícios.
O plano prevê a manutenção do “arcabouço fiscal” aprovado em 2023, que impede que despesas cresçam acima das receitas e limita seu aumento a 2,5 % ao ano, superior à inflação. Analistas criticam as exceções à regra, que teriam impulsionado os gastos nos últimos anos. O programa também reafirma a política de valorização do salário mínimo como estratégia de distribuição de renda, combate à pobreza e promoção do desenvolvimento, com aumentos acima da inflação limitados a 2,5 % ao ano – teto do arcabouço – e ressalta que a vinculação ao gasto previdenciário pode dificultar o ajuste fiscal. Entre as medidas, destaca‑se o combate à “pejotização espúria” por meio de fiscalização, regras que inibam migrações fraudulentas, equiparação de responsabilidades administrativas e previdenciárias e fortalecimento da inspeção do trabalho. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, citado como indicado pela campanha, detalhou alguns aspectos da proposta. O governo também pretende manter a ação no Senado Federal para assegurar o fim da “escala 6x1” e a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução salarial, conforme aprovado na Câmara dos Deputados.
A coligação de Flávio Bolsonaro (PL) apresenta um ajuste fiscal de maior intensidade, descrito como um “grande tesouraço” que implicaria “corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina”. O objetivo, segundo a proposta, é colocar as contas em ordem para alcançar “juros menores”. O plano inclui a reformulação das atuais regras fiscais, com diretrizes claras focadas na estabilização e redução da dívida pública conforme determina a Constituição, construção de equilíbrio fiscal duradouro, entrega de superávits primários e limitação do crédito subsidiado com recursos do Tesouro, mitigando pressões inflacionárias. Também prevê uma regra clara de controle de gastos discricionários dos três Poderes da União. Além disso, propõe redução de impostos sobre energia e combustíveis para “sobrar dinheiro no fim do mês” das famílias, com contas de luz mais simples e baratas, custo de transporte menor nas prateleiras dos supermercados e crédito que não afunde o orçamento.
Os programas dos demais candidatos – Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) – apresentam linhas gerais que visam a retomada de superávits fiscais, porém não especificam os meios para alcançar tais resultados. Não é a primeira vez que Renan Santos aparece nas discussões eleitorais; anteriormente, a reportagem do portal destacou seu “efeito contraste” entre eleitores jovens nas eleições de 2026.
Em síntese, todos os cinco presidenciáveis colocam o ajuste fiscal como eixo central de suas propostas econômicas, mas a escassez de detalhes operacionais dificulta a avaliação da viabilidade e do impacto potencial de cada plano.
Com informacoes de G1 Política.

