Possível Cobrança de 20% no Estreito de Ormuz Pode Acelerar Compras de Fertilizantes

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 13/07/2026 19:17
Possível Cobrança de 20% no Estreito de Ormuz Pode Acelerar Compras de Fertilizantes

Foto: via Canal Rural

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou recentemente que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar 20% sobre o valor de toda carga transportada. Essa medida pode trazer incertezas para o mercado global, incluindo o de fertilizantes.

De acordo com o analista de inteligência de mercado da Stonex, Tomas Pernias, a taxação sobre os navios que atravessam o Estreito de Ormuz representaria um encarecimento e uma perda de competitividade das cargas vendidas e exportadas pelos países do Oriente Médio que utilizam essa rota. Isso poderia levar importadores globais a priorizar fornecedores que não dependem do Estreito de Ormuz para seus embarques, como forma de evitar a taxação.

A reabertura do Estreito de Ormuz e a garantia de que os navios possam atravessar essa rota seriam boas notícias para compradores, como o Brasil. No entanto, a possibilidade de novas taxações certamente não agrada aos importadores, que teriam de lidar com uma nova tarifa, possivelmente repassada, ao menos em parte, aos preços finais do adubo.

Entre janeiro e junho deste ano, as importações de Fosfato Monoamônico (MAP) ficaram 24% abaixo das aquisições realizadas no mesmo período de 2025, conforme dados da StoneX. Além do MAP, as principais matérias-primas fosfatadas adquiridas pelo Brasil, como Superfosfato Triplo (TSP) e Superfosfato Simples (SSP), também estão nos menores níveis dos últimos anos.

A escassez de enxofre, produto empregado na cadeia produtiva de fosfatados, também é um grande obstáculo para o segmento. As importações brasileiras dessa matéria-prima ficaram 42% abaixo das registradas em 2025, devido à oferta reduzida do produto no mercado internacional e à alta dos preços, que subiram 127% entre o fim de fevereiro e o início de julho.

Diante dos custos elevados para a produção de fosfatados, grandes fabricantes de fertilizantes no Brasil e em outros países reduziram suas taxas de utilização e, em alguns casos, interromperam linhas de produção. Um exemplo recente é a Mosaic, que anunciou a adoção de medidas temporárias de redução da produção em parte de suas operações de fosfato no Brasil devido às restrições globais no fornecimento da matéria-prima.

Com informacoes de Canal Rural.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

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