Plutão: um planeta anão mais agitado do que se imaginava

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 18/07/2026 20:30
Plutão: um planeta anão mais agitado do que se imaginava

Foto: via Olhar Digital

Em 2015, a sonda New Horizons sobrevoou Plutão e realizou uma série de imagens do planeta anão. Agora, cientistas analisaram o conteúdo desses registros e chegaram a uma conclusão bastante surpreendente. Em estudo publicado na revista científica Icarus, eles relataram ter encontrado evidências de seis deslizamentos de terra nas paredes internas de três crateras de Plutão.

A causa desses fenômenos, no entanto, ainda não está totalmente esclarecida. Detritos avançaram por grandes distâncias. De acordo com os pesquisadores, os deslizamentos foram identificados nas crateras Coughlin e Giclas e em uma terceira cratera sem nome, todas localizadas na borda ocidental de Sputnik Planitia.

As marcas foram detectadas pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) da New Horizons, capaz de identificar estruturas na superfície com dimensões a partir de 300 metros. Esses deslizamentos deixaram grandes depósitos de detritos espalhados pelo chão das crateras. O material percorreu distâncias entre 10,1 e 14,5 quilômetros.

Alguns desses depósitos apresentam superfície irregular, o que indica a presença de grandes blocos de gelo sólido. Nas áreas de origem dos deslizamentos, é possível observar falésias côncavas bem definidas, onde o material se desprendeu e desceu pelas paredes íngremes das crateras. O maior dos depósitos de detritos cobre 130 quilômetros quadrados — área suficiente para soterrar uma cidade pequena ou uma grande cidade do interior.

Lembrando que deslizamentos já foram identificados em outros corpos do sistema solar, como Marte. Estes são, porém, os primeiros registrados em Plutão, e indicam que o mundo gelado ainda apresenta atividade geológica. Ainda segundo a equipe responsável pelo estudo, a causa dos deslizamentos em Plutão ainda não está totalmente esclarecida.

O deslizamento em Coughlin aparenta ter sido provocado por um impacto menor nas proximidades. Uma das possibilidades levantadas no estudo envolve tensões térmicas no gelo superficial, geradas pelas pequenas variações de temperatura que fazem com que materiais voláteis de Plutão — entre eles nitrogênio molecular, monóxido de carbono e metano — sublimem e condensem periodicamente. Essas variações ocorrem porque a órbita elíptica de Plutão o aproxima levemente do Sol, cruzando a órbita de Netuno, e depois o afasta novamente.

Com informacoes de Olhar Digital.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.