Pix acelera o fim do dinheiro em espécie, mas ainda enfrenta resistência entre idosos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 23/08/2026 08:00
Pix acelera o fim do dinheiro em espécie, mas ainda enfrenta resistência entre idosos

Foto: via Correio do Povo

O Pix foi criado pelo Banco Central e entrou em operação em novembro de 2020, tornando-se rapidamente o principal meio de pagamento dos brasileiros ao possibilitar transferências instantâneas a qualquer hora e dia.

De acordo com pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, 61% dos brasileiros afirmam que abandonaram ou reduziram o uso de dinheiro em espécie após a popularização do Pix.

Entretanto, o recuo do uso de cédulas não é uniforme. Entre os idosos, o receio de golpes digitais, a falta de conhecimento sobre o funcionamento da ferramenta e a desconfiança quanto à efetivação das transações permanecem como os principais motivos para evitar o Pix.

Cledi Paim, 77 anos, moradora de Porto Alegre, relata medo dos pagamentos digitais: "Eu acho perigoso. Tenho essa coisa comigo. Eu tenho medo, sinceramente. Tem tanta coisa que acontece, tanta trapaça que fazem, que eu fico desconfiada." Ela prefere pagar contas diretamente no caixa eletrônico, pois além de usar dinheiro em espécie, também a ajuda a sair de casa. Quando precisa fazer uma transferência eletrônica ou não pode ir ao banco, pede ao filho que realize o Pix. Apesar da resistência ao sistema de pagamentos instantâneos, Cledi utiliza o cartão de débito sem receio e não tem dificuldades para pagar as compras do dia a dia, concluindo: "Só se acabarem com o dinheiro, daí sim".

O aposentado Alexandre Duarte, também 77 anos e residente em Porto Alegre, mantém o hábito de usar dinheiro em espécie para quitar contas. Ele imprime boletos em uma loja de fotocópias próxima, paga-os na lotérica e guarda o comprovante, dizendo que isso lhe traz tranquilidade: "Depois vou na lotérica, pago diretamente no sistema e pego um comprovante. Não fico com dúvida. Vejo o retorno diretamente na minha mão." Alexandre conhece o Pix, mas a falta de materialidade das transações o deixa desconfiado: "Talvez não seja perigoso, mas eu acho que é. Não tenho como comprovar que o pagamento foi aceito, que foi pago. Quando minha mulher faz um Pix, temos que escrever no papel 'pago', porque não tem nada que comprove."

Jorge Mello, 64 anos, também de Porto Alegre, já substituiu o dinheiro físico pelo cartão de débito, porém ainda tem dificuldade para efetuar uma transferência por Pix. "Eu conheço o Pix, mas não sei fazer o procedimento. Quem faz para mim é o meu filho," afirma.

Os três citados integram os 18% dos brasileiros que dizem não utilizar o Pix para transferências e pagamentos, segundo pesquisa Ipsos‑Ipec realizada em junho. O mesmo levantamento indica que 82% da população utiliza o sistema, e 93% dos entrevistados o avaliam positivamente.

Outro estudo da Serasa revelou que 28% dos entrevistados reduziram o uso de boletos bancários e 17% passaram a usar menos o cartão de débito físico após a popularização do Pix.

Karla Pontes, educadora financeira da Serasa, explica que a resistência está ligada principalmente à falta de familiaridade com a tecnologia: "A gente consegue associar isso, principalmente, à falta de costume com o uso de celulares e da tecnologia. Notamos que a maioria dessas pessoas ainda prefere o dinheiro físico porque se sente mais segura com as cédulas em mãos. Como muitas vezes não há familiaridade com aparelhos celulares ou aplicativos bancários, esse público acaba utilizando mais o dinheiro em espécie."

Desde sua implantação, o Pix tem passado por aperfeiçoamentos que visam ampliar a segurança das transações e oferecer novas funcionalidades, mantendo como principal vantagem a conclusão dos pagamentos em poucos segundos, a qualquer dia e horário.

Com informacoes de Correio do Povo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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