PF aponta atuação de Jaques Wagner em quatro frentes de interesse do Banco Master
Os relatórios produzidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero descrevem uma atuação recorrente do senador Jaques Wagner (PT-BA) em temas considerados estratégicos para o antigo Banco Master e seus principais controladores, Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima.
A partir da análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos, documentos e proposições legislativas, os investigadores identificaram quatro eixos nos quais a atuação do parlamentar teria coincidido com interesses econômicos do grupo:
1. Ampliação do crédito consignado: A Medida Provisória 1.106/2022, posteriormente convertida na Lei 14.431/2022, ampliou a margem para contratação de crédito consignado por aposentados, pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e beneficiários de programas sociais.
Jaques Wagner apresentou a Emenda 30 e manifestou apoio à aprovação do texto. A Polícia Federal sustenta que a simultaneidade entre a atuação legislativa e a contratação da empresa BN Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, nora do senador, representa um elemento relevante para a apuração.
2. Mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC): A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023 trata da autonomia administrativa e financeira do Banco Central. A Polícia Federal identificou conversas em que Daniel Vorcaro afirma que a aprovação da medida poderia "sextuplicar" o negócio do Banco Master.
3. Negociação para venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB): Os relatórios registram conversas em que Jaques Wagner sugere que determinados encontros ocorram em seu gabinete por ser um ambiente "mais protegido e discreto".
4. Regulamentação do mercado de créditos de carbono: A Polícia Federal identificou mensagens em que Augusto Ferreira Lima encaminhou ao senador documentos e o link da proposta.
A PF sustenta que os elementos identificados indicam a recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta e indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado.
Jaques Wagner afirmou estar tranquilo em relação às investigações e confia que a apuração afastará as suspeitas.
Com informacoes de Gazeta do Povo.

