Pesquisadores brasileiros desempenham papel decisivo no supertelescópio Roman da NASA

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 29/08/2026 04:00
Pesquisadores brasileiros desempenham papel decisivo no supertelescópio Roman da NASA

Foto: via O GLOBO

Na madrugada deste domingo, a NASA lançou o novo telescópio espacial batizado Roman, em homenagem a Nancy Grace Roman, a primeira astrônoma‑chefe da agência americana.

O Roman incorpora uma câmera infravermelha de 300 megapixels e possui um campo de visão pelo menos cem vezes maior que o do icônico telescópio Hubble, permitindo capturar imagens amplas e de alta definição que cobrem uma área do céu cerca de 1,5 vez maior que o tamanho aparente da Lua cheia.

De acordo com a NASA, as primeiras imagens obtidas pelo Roman deverão ser divulgadas no início de 2027.

O telescópio também conta com tecnologia avançada de bloqueio do brilho das estrelas, possibilitando a observação da tênue luz refletida pelos planetas que as orbitam e, assim, “revelar mundos gigantes mais antigos, mais frios e em órbitas mais próximas do que os jovens e quentes ‘super‑Júpiteres’ que a obtenção de imagens diretas revelou principalmente até agora”, explicou a agência.

Entre os principais objetivos científicos estão a investigação da energia escura e da matéria escura, a descoberta e caracterização de exoplanetas, o mapeamento de bilhões de galáxias, o estudo de buracos negros e a exploração de objetos que vão desde o Sistema Solar até os limites do universo observável.

Após o lançamento e a separação do foguete, o Roman seguirá em direção ao segundo ponto de Lagrange Sol‑Terra, conhecido como L2, localizado a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra, local onde já opera o telescópio espacial James Webb.

A missão tem uma vida útil inicial prevista de cinco anos, com o objetivo de operar por dez anos.

O Brasil terá um papel estratégico nesse grande projeto por meio do Arandu, o sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Laboratório de Inteligência Artificial (LAB‑IA) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) para analisar as observações geradas pelo Roman.

Segundo os pesquisadores, a tecnologia do Arandu cruzará o material obtido pelo telescópio com informações anteriores, classificará os fenômenos detectados e indicará aos astrônomos quais são os alvos mais relevantes para estudo, tornando viável o tratamento de um volume de dados que seria impossível de examinar manualmente.

“O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas. Ter essa tecnologia desenvolvida e operada no CBPF insere o Brasil em uma etapa decisiva da astronomia contemporânea: a transformação de grandes volumes de dados em conhecimento científico”, afirmou Clécio Roque De Bom, professor do CBPF e coordenador científico do LAB‑IA.

Arandu, palavra que significa “sabedoria” em tupi‑guarani, será especializado na análise de fenômenos que mudam com o tempo, conhecidos como eventos transitórios ou variáveis, como explosões estelares, oscilações no brilho de estrelas e outros acontecimentos que exigem identificação rápida para que possam ser acompanhados por pesquisadores e outros observatórios.

“O diferencial do Roman não está apenas na quantidade de objetos que poderá observar, mas na possibilidade de acompanhar um Universo em transformação. Sistemas como o Arandu serão fundamentais para reconhecer essas mudanças no meio de um fluxo contínuo de dados e permitir que a comunidade científica reaja a elas”, completou De Bom.

Formada por uma equipe multidisciplinar, o LAB‑IA desenvolve algoritmos para analisar grandes volumes de dados e apoiar descobertas em áreas como astrofísica, cosmologia, geofísica, petrofísica, física de partículas, novos materiais, energia e medicina.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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