Paula Fernandes retorna à Festa do Peão de Barretos após 10 anos e denuncia machismo no sertanejo
Paula Fernandes volta à Festa do Peão de Barretos nesta quinta‑feira, 27 de agosto, depois de uma década de ausência, e iniciará as provas de montaria cantando Ave Maria enquanto está a cavalo.
A apresentação marca o início das competições de montaria, que precedem os shows musicais do maior rodeio da América Latina. No dia seguinte, sexta‑feira, 28 de agosto, a artista subirá ao palco Amanhecer para um concerto exclusivo, reunindo sucessos como "Pássaro de Fogo" e faixas do álbum recém‑lançado 30 & Poucos Anos, além de comemorar seu aniversário de 42 anos.
Em entrevista por videoconferência à BBC News Brasil, Paula relembrou sua trajetória desde a infância humilde no interior de Minas Gerais, passando pelos primeiros cantos em botecos, até o salto para a fama em 2011, quando se tornou a artista mais tocada nas rádios e vendeu 1,6 milhão de discos em todo o país.
Ela ressaltou que, embora hoje a indústria sertaneja esteja mais habituada à presença feminina, no início da carreira o cenário era totalmente moldado para homens. Naquela época, chegou a fazer 220 shows por ano e enfrentava questionamentos como a necessidade de um banheiro ou de um espelho no camarim, situações que revelavam a estrutura masculina predominante.
Paula apontou que o desequilíbrio ainda persiste: dos 22 artistas programados para a sexta‑feira, apenas três são mulheres, representando 13,6% do line‑up; na programação completa dos seis dias do evento, as mulheres ocupam 11,6% das atrações.
A cantora também abordou rumores pessoais que surgiram ao longo da carreira, lembrando que foi frequentemente rotulada de forma pejorativa por supostos affairs com homens da indústria, e afirmou que prefere manter uma postura apartidária, evitando discussões políticas.
Quanto à tecnologia, Paula declarou que rejeita o uso de inteligência artificial na composição musical, argumentando que o recurso carece de sensibilidade e profundidade humanas.
Sobre a tradição de cantar Ave Maria no rodeio, ela explicou que a música sempre foi parte de sua renda, servindo como oração de proteção para os peões, um esporte considerado arriscado, e que às vezes era acompanhada por um coração de fogo ao seu redor.
Paula reconheceu a importância de pioneiras como Sula Miranda, Roberta Miranda, as irmãs Galvão e As Marcianas, afirmando sentir orgulho de contribuir para a abertura de caminhos em um meio ainda dominado por duplas masculinas.
Além do álbum 30 & Poucos Anos, que traz o single "Era Eu", a artista anunciou uma série de shows em casas de espetáculos, cujas datas serão divulgadas em breve.
Com informacoes de G1.

