Operação no Complexo de Israel: PM e PC cumprem mandados, mulher ligada a Peixão é presa e um traficante é morto em Nova Iguaçu
Na manhã de segunda‑feira, a Polícia Militar iniciou ocupação por tempo indeterminado do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, enquanto a Polícia Civil cumpriu quatro mandados de prisão e efetuou prisões em flagrante, resultando em uma morte e nove detidos.
Do total de presos, seis foram capturados dentro do Complexo de Israel. Três dessas detenções obedeceram a mandados já emitidos, destacando‑se Luana Rosa de Araújo, conhecida como "Madrinha da Cidade Alta", que responde a quatro ordens de prisão – duas por homicídio e duas por associação ao tráfico.
Luana Rosa de Araújo está vinculada a Álvaro Malaquias Santa Rosa, apelidado de Peixão, chefe do tráfico no Complexo de Israel e um dos criminosos mais procurados do estado do Rio de Janeiro.
As outras três prisões realizadas em flagrante no Complexo de Israel envolveram dois suspeitos de receptação de veículos e um suspeito de adulteração.
A ação policial também se estendeu ao bairro Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde um gerente geral do tráfico foi morto e três pessoas foram detidas, sendo dois dos detidos oriundos de Parada de Lucas.
Na mesma comunidade de Buraco do Boi, foram apreendidos dois fuzis, diversas drogas e veículos ligados ao crime organizado.
Durante a operação, a Polícia Civil encontrou uma casamata equipada com uma "seteira" – estrutura de apoio para armas longas – localizada em frente a uma plataforma de embarque da TrensRJ, nas proximidades da passarela Bulhões Marcial, entre Parada de Lucas e Vigário Geral. A parede da casamata foi construída com duas camadas de tijolos para aumentar a proteção dos traficantes, e o chão continha dezenas de cápsulas deflagradas.
Em Vigário Geral, os policiais localizaram uma casa de luxo pertencente a Leandro Santos Sabino, conhecido como "Flamengo", homem de confiança de Peixão. No térreo, o imóvel apresenta cômodos ainda em obra; no segundo andar, o piso de material que aparenta ser mármore ou porcelanato preto abriga um quarto e uma academia equipada com esteira e outros aparelhos de musculação; no terceiro pavimento, há uma churrasqueira, mesa, espreguiçadeiras e uma banheira de hidromassagem, tudo revestido com material semelhante a mármore ou porcelanato.
A apuração que culminou na operação reuniu informações de diferentes ocorrências e alvos identificados ao longo de meses de trabalho de inteligência, confirmando o envolvimento de integrantes do tráfico do Complexo de Israel em múltiplos tipos de crime.
Na zona norte, além das ocupações, a polícia encontrou carros‑bomba utilizados como bloqueios e barricadas com explosivos que poderiam ser detonados à distância à medida que os agentes passassem. O tráfico também tem escavado fossas para impedir a circulação de veículos de pequeno porte.
Quando a ocupação da PM teve início, traficantes incendiaram quatro caminhões na Avenida Brasil. O ataque foi atribuído a membros da Favela de Acari, também controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
A operação mobilizou equipes do Departamento‑Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento‑Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento‑Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento‑Geral de Polícia do Interior (DGPI) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
Participaram da ação agentes do Comando de Operações Especiais (COE), do 1º Comando de Policiamento de Área (1º CPA), do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM) e do Batalhão Tático.
Entre os detidos, destacou‑se o integrante do grupo conhecido como "Bonde dos Taca Bala", que foi preso usando uma bandeira de Israel costurada em seu colete.
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Com informacoes de O GLOBO.

