Norges Bank propõe reduzir US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA e ampliar exposição a MBS
O Norges Bank Investment Management, gestor do fundo soberano da Noruega, que administra US$ 2,3 trilhão, enviou na terça‑feira, 1.º, uma carta ao Ministério das Finanças norueguês propondo uma reestruturação de suas posições em dívida dos Estados Unidos.
A proposta prevê a alienação de US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro americano, o que reduziria a participação desses papéis no índice de referência do fundo de 70% para 50%, mantendo a exposição geral a ativos denominados em dólar praticamente inalterada – de 52,9% para 52,5%.
Para compensar a venda dos títulos do Tesouro, o fundo pretende aumentar a compra de títulos securitizados, especialmente os mortgage‑backed securities (MBS) emitidos por agências como Fannie Mae, Freddie Mac e Ginnie Mae, cuja qualidade de crédito é considerada próxima à dos títulos do governo dos EUA.
O risco associado aos MBS não decorre de inadimplência, mas do pré‑pagamento das hipotecas quando os mutuários refinanciam a dívida a taxas menores; por isso, os investidores exigem um prêmio de pré‑pagamento para equilibrar esse risco.
Na carta, o Norges Bank recomenda que os títulos securitizados e os títulos relacionados ao governo sejam incluídos no índice de referência, argumentando que um índice de mercado amplo oferece exposição a mais prêmios de risco e maior diversificação em comparação ao índice atual.
Com o realinhamento, a participação em títulos do Tesouro dos EUA cairia 12,2 pontos percentuais, enquanto a participação da dívida não governamental dos EUA subiria 11,4 pontos percentuais.
O ajuste também afeta a composição setorial do índice: a ponderação de títulos do governo dos EUA passaria de 34,1% para 21,9%; a dívida da zona do euro cairia de 16,8% para 14,1%; a dos títulos do governo japonês subiria de 4,6% para 7,4%; e a dos títulos do Reino Unido permaneceria em 4,2%.
As mudanças ocorrem num contexto político delicado nos EUA, onde a dívida pública ultrapassa US$ 40 trilhões e o déficit federal caminha para US$ 2 trilhões neste ano fiscal, sem sinais de contenção. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, tem adotado postura intervencionista para controlar os rendimentos dos títulos do Tesouro e evitar a valorização excessiva do dólar. Paralelamente, o presidente Donald Trump intensificou disputas comerciais, questionou o compromisso dos EUA com a OTAN e chegou a sugerir a possibilidade de ocupação militar da Groenlândia.
Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank, e Nicolai Tangen, CEO do Norges Bank Investment Management, concluíram que uma participação de 50% em títulos públicos será suficiente para atender às necessidades de liquidez, inclusive em períodos de turbulência nos mercados financeiros.
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Com informacoes de Estadão.

