MPF Desbarata Estrutura Criminosa de Tráfico de Drogas em Goiás
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncias contra 33 pessoas suspeitas de estar envolvidas em uma estrutura criminosa transnacional responsável pela importação de cocaína da Bolívia, pelo financiamento da logística do tráfico internacional e pela lavagem de dinheiro proveniente da atividade ilícita.
A investigação teve início em 20 de abril de 2025, após uma aeronave realizar pouso clandestino na zona rural de Santa Rita do Araguaia, em Goiás. No interior do avião, foram encontrados 450 tabletes que totalizavam 470,8 quilos de cloridrato de cocaína.
Os dois ocupantes da aeronave fugiram em direção a uma área de mata, mas foram localizados e presos em flagrante. Com os pilotos, foram apreendidos aparelhos celulares, equipamentos de navegação aérea e manuscritos contendo coordenadas geográficas referentes à Bolívia.
A análise de um GPS aeronáutico permitiu reconstruir a rota utilizada entre a região do Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), na Bolívia, e o estado de Goiás.
Em setembro de 2025, os dois pilotos do avião – Cruz Orlando Garbon Alvarez, de nacionalidade venezuelana, e Jefferson Cajias Chavez, boliviano – foram condenados por tráfico internacional de entorpecentes. O processo está em fase de recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
A partir das informações obtidas nos equipamentos e do cruzamento de dados bancários, fiscais e telemáticos, o MPF identificou uma estrutura criminosa permanente e organizada, com divisão de tarefas entre grupos responsáveis pelo transporte da droga, pelo financiamento das operações e pela ocultação de patrimônio.
Segundo as denúncias, o primeiro núcleo era responsável pela logística aérea, incluindo a compra, o financiamento e a utilização das aeronaves empregadas no transporte internacional da cocaína.
O avião apreendido havia sido adquirido por R$ 1,426 milhão, mas foi registrado em nome de terceiro para ocultar seus proprietários. Também foram identificadas outras aeronaves, pistas clandestinas, equipamentos de comunicação via satélite e pontos de apoio em Goiás, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Maranhão.
O segundo núcleo concentrava o financiamento das operações e a primeira etapa da lavagem de dinheiro. Conforme o MPF, a aquisição da aeronave foi viabilizada por pagamentos pulverizados entre pessoas físicas, empresas de fachada, contas de passagem e pessoas interpostas, dificultando o rastreamento da origem dos recursos.
Além disso, a investigação também identificou o uso de identidade falsa para a constituição de empresa utilizada na circulação dos valores.
A fase ostensiva da Operação Rota Andina foi deflagrada em 12 de maio de 2026, com o cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Amazonas, Rio Grande do Norte, Maranhão e Distrito Federal.
Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, documentos, dinheiro, joias, relógios e veículos de alto valor. Ainda estão em andamento perícias em equipamentos eletrônicos, avaliações patrimoniais, cruzamentos de informações bancárias, fiscais e contábeis e outras diligências que poderão identificar novos envolvidos e revelar infrações penais ainda não abrangidas pelas denúncias oferecidas.
Com o surgimento de novos elementos, o MPF poderá apresentar novas denúncias, promover aditamentos às acusações já formuladas ou adotar outras medidas nos próximos desdobramentos da Operação Rota Andina.
Com informacoes de Diário de Goiás.

