MP comprova irregularidades de Flamengo e Fluminense no Maracanã e aponta dificuldade do consórcio em fornecer dados

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 12/09/2026 14:40
MP comprova irregularidades de Flamengo e Fluminense no Maracanã e aponta dificuldade do consórcio em fornecer dados

Foto: via O GLOBO

Os promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro, atuando na fiscalização da Lei Geral do Esporte, detectaram que a quantidade de torcedores admitidos nos jogos realizados no Maracanã, estádio administrado em conjunto pelos clubes Flamengo e Fluminense, ultrapassou a capacidade oficialmente autorizada.

Conforme laudos emitidos pelos Bombeiros e pela Polícia Militar, a lotação máxima permitida para o Maracanã atualmente é de pouco mais de 73 mil pagantes. As planilhas analisadas pelos procuradores revelaram que, sobretudo nos jogos do Flamengo, o volume de público nas áreas norte e nas cadeiras cativas excedia o limite estabelecido para esses setores.

Foi verificado ainda que o sistema de catracas do estádio não impede a entrada de torcedores quando o número total supera a capacidade, informação considerada pelo MP como um alívio potencial para evitar tumultos, embora represente risco de superlotação.

Os registros referentes ao calendário de 2026 mostraram que o Fluminense disponibilizou ingressos acima do permitido em cinco partidas. O Flamengo, por sua vez, superlotou o setor norte e as cadeiras cativas em, no mínimo, seis dos doze jogos analisados, suscitando suspeitas de prática de overbooking.

O amistoso entre Brasil e Panamá, realizado em maio antes da Copa do Mundo, foi citado como exemplo de partida com lotação esgotada, porém dentro dos parâmetros de segurança previstos nos laudos. Nesse evento, não foram comercializados ingressos para o chamado setor oeste superior, localizado dentro das cadeiras cativas.

As planilhas fornecidas pelos clubes foram incorporadas ao inquérito aberto pelo MP-RJ e serão anexadas ao procedimento, garantindo a transparência dos números investigados. Flamengo, Fluminense, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e as empresas prestadoras de serviços, inclusive o consórcio Fla‑Flu Serviços, foram notificados e têm até a próxima semana para apresentar explicações, tendo solicitado cópias dos documentos antes de responder.

O inquérito teve início em 31 de outubro, data divulgada pelo MP-RJ, e provocou reação imediata do consórcio e das empresas envolvidas. A percepção das autoridades indica que a prática de venda excessiva de ingressos continuou até a partida entre Flamengo e Botafogo, ocorrida na última semana.

Após o envio dos ofícios, o acesso às planilhas dos jogos passou a ser dificultado, como constatado na partida entre Fluminense e Platense, válida pela Libertadores, realizada na última terça‑feira. O sistema do consórcio, que contabiliza o número de torcedores por meio de reconhecimento facial, não foi disponibilizado, e o monitoramento em tempo real da entrada de público ficou restrito. A empresa responsável pela tecnologia afirmou que não poderia mais repassar informações e adotou postura cautelosa.

A saída do diretor de operações Severiano Braga e a nomeação de Fred Nantes como novo CEO do consórcio também geraram novos entraves à investigação. Diante disso, o MP estuda a emissão de ofícios específicos para prosseguir na apuração dos jogos do Flamengo e do Fluminense.

De acordo com o artigo 147 da Lei Geral do Esporte, equipes que venderem ingressos acima da capacidade podem ser proibidas de utilizar estádios de sua cidade por até seis meses. No momento, o MP-RJ aguarda posicionamento dos clubes e do consórcio Fla‑Flu Serviços S.A. para propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), buscando evitar a judicialização do caso e minimizar prejuízos à temporada dos clubes.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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