De ferida na infância a estreia no profissional: a trajetória de Ruan Sales no Fluminense
Em meio à expectativa de vender mais atletas na última janela, o Fluminense tem buscado equilibrar as finanças com a premiação da Libertadores, mantendo o foco no desenvolvimento interno.
Quando tinha apenas sete anos, Ruan vivia seus dias em uma quadra de futsal deteriorada em São Luís, Maranhão. Ao tentar fazer um carrinho, uma farpa de madeira atravessou sua perna, resultando em 32 pontos e exigindo cinco meses de imobilização. O garoto recorda que, se a farpa tivesse avançado mais três centímetros, poderia ter atingido estruturas vitais, provocando necrose ou até encolhimento do membro.
O procedimento cirúrgico foi realizado imediatamente, porém não houve acompanhamento fisioterapêutico. Ruan permaneceu em repouso domiciliar, e episódios de inflamação surgiram devido à sua energia infantil. Após a remoção dos pontos em hospital, ele retomou gradualmente as atividades esportivas sem orientação médica, superando o período mais difícil para sua família.
O talento emergiu na escolinha de futsal Palmeirinha, onde continuou a treinar no quintal e nas primeiras competições. O destino conduziu-o a uma peneira do Fluminense exatamente no local onde deu seus primeiros toques. Aprovação nos dois testes fez com que, aos nove anos, ele se mudasse para Xerém, acompanhado de seu pai, Júnior, que se tornou seu principal apoio.
Ruan nunca passou a residir no alojamento da base, preferindo permanecer próximo ao pai, que abandonou a vida no Maranhão para acompanhá‑lo e assumiu a gestão da carreira do filho. Em entrevista, o jovem revelou: "Meu pai é meu clube. Ele acreditou em mim, largou tudo para vir aqui e dedica sua vida ao meu futuro. Tudo que faço tem ele e meu avô, que faleceu há três anos, em mente. Tenho empresário, mas quem cuida da minha trajetória é meu pai".
Ao longo de mais de dez anos, a identificação com o Fluminense se aprofundou. O ponto alto chegou quando, ainda sob o comando de Luis Zubeldía, entrou no segundo tempo de um amistoso contra o Nova Iguaçu, que terminou 6 a 1 para o Tricolor, em 8 de julho. A participação chamou a atenção da torcida.
Com a chegada de Marcão ao clube, Ruan passou a integrar alguns treinos da equipe principal e chegou a ser incluído na lista de convocados para o clássico contra o Vasco, embora não tenha sido mantido no banco de reservas.
O sub‑20 tem como técnico e ídolo o atacante Fred, que também atua como referência dentro de campo. Ruan elogia o profissional: "Fred é incrível, tanto como ídolo quanto como pessoa. Ele nos apoia, cobra quando preciso e cria um ambiente de conforto. Seu estilo é dominante, gosta de ter a bola e nos incentiva a pressionar e correr o tempo todo. Estamos evoluindo muito sob sua orientação".
Além de Fred, o volante maranhense admira a intensidade de Martinelli, também formado em Xerém, e sonha em vestir a camisa do Barcelona. Ele ainda acompanha o desempenho de Rodri, atual volante do clube espanhol e campeão mundial, como referência para seu futuro.
Com informacoes de O GLOBO.

