Montadoras reduzem potência de motores 1.0 turbo para até 115,6 cv e evitam aumento de IPI
As montadoras instaladas no Brasil têm adotado uma estratégia fiscal que consiste em reduzir a potência de seus motores 1.0 turbo para a faixa de até 115,6 cv, de modo a garantir alíquotas reduzidas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previstas nas diretrizes do programa federal Mover (Mobilidade Verde e Inovação).
A nova regra deixa de considerar apenas a cilindrada – critério que beneficiava os veículos 1.0 antigos – e passa a focar na potência efetiva e nos requisitos de eficiência energética. Assim, motores que entregam até 115,6 cv de potência máxima ficam isentos de acréscimos percentuais na alíquota base do IPI.
O ajuste mecânico já foi implementado por várias marcas. O grupo Stellantis decidiu reduzir o rendimento do seu motor 1.0 turbo de 130 cv para 116 cv, mantendo o torque original de 20,4 kgfm. Movimentos semelhantes foram adotados pela Chevrolet e pela Hyundai, enquanto a Renault planeja reajustar o propulsor do modelo Kardian. Fabricantes como Caoa Chery e Volkswagen também recalibraram motores de maior cilindrada para enquadrá‑los em faixas tributárias mais favoráveis.
Não é a primeira vez que a Jeep ajusta estratégias para otimizar custos fiscais; como já mostramos na edição especial do Compass lançada em agosto, a marca busca constantemente alinhar design, motorização e tributação. Da mesma forma, a Chevrolet tem explorado alternativas de preço e tecnologia, como vimos na análise do Bolt usado em 2026.
Para os modelos que ainda superam o limite de 115,6 cv, a alternativa adotada pelas marcas tem sido apostar na eletrificação. Sistemas híbridos leves (MHEV), híbridos completos (HEV) e híbridos plug‑in (PHEV) garantem abatimentos que variam de 1 a 2 pontos percentuais na alíquota do IPI. Esse incentivo fiscal explica por que os híbridos leves devem ganhar ainda mais espaço no mercado nacional nos próximos anos.
Em resumo, a combinação de recalibração de motores e a aposta em tecnologias híbridas constitui o “truque” das montadoras para pagar menos IPI, ao mesmo tempo em que mantêm desempenho e competitividade frente a consumidores cada vez mais atentos ao custo total de propriedade.
Com informacoes de Canaltech.

