Monstro estreia na Netflix e revisita o caso real de Lizzie Borden, assassinatos que abalaram os EUA em 1892
A Netflix disponibiliza nesta quinta-feira, dia 17, a quarta temporada da série antológica de true crime "Monstro", criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, com todos os episódios lançados simultaneamente.
A produção se baseia nos assassinatos ocorridos em 4 de agosto de 1892, quando Lizzie Borden, então com 32 anos, foi acusada de matar seu pai, Andrew Jackson Borden, de 66 anos, e sua madrasta, Abby Durfee Gray, de 64 anos, dentro da residência familiar em Fall River, Massachusetts.
Na manhã dos fatos, o corpo de Andrew foi encontrado no sofá da sala, enquanto Abby foi descoberta morta no quarto de hóspedes do andar superior; ambas as vítimas apresentavam múltiplos ferimentos causados por um objeto cortante.
A irmã de Lizzie, Emma, encontrava‑se fora da cidade, e a empregada da família, Bridget Sullivan, havia saído para fazer compras no momento dos crimes.
Durante a investigação, a polícia localizou duas machadinhas no porão da casa, consideradas possíveis armas do crime. O corpo de Andrew apresentava 11 feridas, e Abby também foi atingida por diversas facadas.
Entre os indícios que alimentaram a suspeita contra Lizzie, um farmacêutico declarou que ela tentou comprar ácido prússico – substância altamente tóxica – no dia anterior aos assassinatos, embora a compra não tenha sido concluída.
Além disso, uma amiga de Lizzie relatou que, alguns dias após os homicídios, a jovem teria queimado um vestido alegando que a peça estava manchada de tinta.
Lizzie foi presa e formalmente acusada pelos dois assassinatos. O julgamento teve início em junho de 1893 e rapidamente se tornou um dos processos mais comentados da época.
A defesa buscou retratar a ré como uma mulher delicada, religiosa e improvável de cometer um ato de violência tão extrema, enquanto a acusação enfrentou a falta de uma arma identificada definitivamente e se apoiou em evidências circunstanciais.
O júri, composto exclusivamente por homens, absolveu Lizzie Borden após pouco mais de uma hora de deliberação. Mesmo livre, ela nunca conseguiu afastar completamente as suspeitas, e nenhum outro indivíduo foi julgado pelo crime, mantendo o caso oficialmente sem responsável condenado.
A ausência de uma conclusão judicial consolidou o caso como um fenômeno cultural nos Estados Unidos. Ao longo das décadas, a história foi adaptada em livros, peças de teatro, filmes, séries e músicas, destacando‑se a cantiga infantil "Lizzie Borden Took an Ax", que exagera o número de golpes atribuídos à acusada.
Na série "Monstro", a atriz Ella Beatty interpreta Lizzie Borden, enquanto Vicky Krieps encarna Bridget "Maggie" Sullivan, a empregada da família, criando uma relação íntima entre as duas personagens – elemento sem comprovação histórica, mas já explorado por outras obras de ficção.
A produção se apresenta como uma versão ficcionalizada do caso, usando os fatos conhecidos como ponto de partida para discutir temas como repressão, poder, misoginia e a construção da imagem de Lizzie ao longo das décadas.
Além de "Monstro", a mesma semana de lançamentos da Netflix inclui novas imagens e data de estreia para a série "Orgulho e Preconceito" e a divulgação de detalhes sobre o novo dorama estrelado por Son Ye‑jin, ampliando o catálogo de conteúdo original da plataforma.
Com informacoes de Estadão.

