Ministro André Mendonça determina afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa da Polícia Federal

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 08/09/2026 09:19
Ministro André Mendonça determina afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa da Polícia Federal

Foto: G1 Política

Na terça‑feira, 8 de setembro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, diretor‑geral da Polícia Federal, e de Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da corporação, além de requisitar a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo‑disciplinares na Corregedoria da PF para apurar a produção de relatórios de inteligência que supostamente monitoravam autoridades.

Mendonça solicitou a convocação de sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para que a decisão seja referendada ainda no mesmo dia. Segundo a decisão, Rodrigues enviou ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026. Os documentos indicam que o relator teria sido alvo de monitoramento ilícito e sistemático por mais de 30 dias.

A decisão também aponta que o advogado‑geral da União, Jorge Messias, foi alvo de monitoramento e de “coleta dirigida” de informações. Os relatórios descrevem que a atuação de Messias nas operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”, ao não recorrer de decisões judiciais, teria como objetivo preservar “relação política com o relator”. Embora a PF tenha classificado a confiança dessas análises como “baixa”, justificou que o caso “autoriza monitoramento e coleta dirigida”.

Os documentos ainda continham referências a uma suposta “matriz religiosa comum” e críticas internas que o ministro qualificou como “surreal” e “abjeta”. Segundo o texto, havia “escancarada realização de juízo correicional” sobre decisões do STF, sobre o mérito técnico da AGU e sobre o trabalho investigativo de delegados e agentes da própria PF. Uma unidade de inteligência, a UADIP, realizava escrutínio crítico do trabalho de delegados em investigações ativas.

Mendonça destacou que os relatórios eram apócrifos, sem timbre, brasão, assinatura ou numeração, tornando‑os “nada jurídico” e contrários à Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP). Os próprios autores inseriram advertências de que as análises eram “sem valor probatório” e apresentavam “confiança agregada baixa”.

Em resposta, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado (Intelis) publicou nota esclarecendo que a inteligência de Estado não se confunde com investigação criminal nem com a elaboração de peças destinadas à formação de juízo acusatório. O presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF) declarou que a circulação dos documentos fora da corporação era “totalmente irregular” e manifestou estranheza quanto ao fato de uma unidade de inteligência produzir esse tipo de análise.

O vazamento dos relatórios também suscitou preocupação por conter detalhes de investigações em andamento envolvendo os políticos Antonio Rueda e ACM Neto, configurando, segundo a decisão, violação grave de sigilo investigativo.

A crise que culminou no afastamento de Rodrigues teve início no início de setembro de 2026. Em 2 de setembro, o Partido Novo acionou o STF pedindo medidas para preservar a independência das investigações contra o diretor‑geral da PF. No dia seguinte, a legenda solicitou prisão preventiva de Rodrigues, alegando indícios de participação em suposta rede de influência criminosa liderada por Daniel Vorcaro, cujas mensagens de celular faziam referência direta ao nome “Andrei”.

A decisão de Mendonça também transcreve declaração da jornalista Monica Waldvogel, da GloboNews, veiculada em 3 de setembro de 2026, na qual Rodrigues teria confirmado que a PF elaborou cerca de cinco ou seis relatórios de inteligência para “consumo próprio e acervo” sobre supostas irregularidades na condução de provas pelo ministro André Mendonça, relatórios que foram posteriormente solicitados por Alexandre de Moraes.

Este desdobramento segue a sequência de publicações do portal fantom.news: em 7 de setembro, Mendonça submeteu ao plenário do STF o relatório da PF sobre mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro; em 6 de setembro, a crise entre a PF e o ministro André Mendonça se aprofundou após a recusa do advogado‑geral da União, Jorge Messias, de recorrer de decisões; no mesmo dia, Mendonça encaminhou ao plenário do STF o caso contra Alexandre de Moraes; e, em 5 de setembro, a Quaest lançou pesquisa presidencial que mede o impacto da disputa entre Mendonça e Moraes.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.