Ministro André Mendonça cita "1984" de Orwell ao afastar diretor da Polícia Federal
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, diretor‑geral da Polícia Federal, ao mencionar a obra "1984", de George Orwell, como analogia ao cenário de vigilância descrito no livro.
A obra, lançada em 1949, figura entre os títulos mais vendidos no Brasil e tem sido constantemente incluída nas listas de best‑sellers nacionais.
Segundo dados de buscas online, "1984" registrou picos de procura em 2013, após as revelações de Edward Snowden sobre espionagem governamental, e em 2017, quando o livro liderou listas de vendas nos Estados Unidos após declarações de Donald Trump; no mesmo ano, a Amazon o posicionou como primeiro lugar em uma lista de títulos recomendados para leitura antes da morte.
Um professor apontou semelhanças entre a narrativa de Orwell e a vigilância eletrônica contemporânea, destacando o controle de dados como elemento central da distopia.
Na própria decisão, Mendonça afirmou que os fatos têm repercussões não apenas no funcionamento das instituições, mas também na segurança e integridade pessoal de membros do STF e de outras autoridades públicas.
De acordo com o cientista político Márcio Juliboni, citado pelo G1 em 2022, a obra traduz a conjuntura política mundial e demonstra o mérito de grandes escritores em perceber características perenes da sociedade.
O editor Emilio Fraia, da Companhia das Letras, responsável pela publicação de "1984" no Brasil, ressaltou a força dos originais e o interesse do público por atualizações da obra, atribuindo isso ao estilo original e à relevância contemporânea.
Semana Pop explicou que três elementos de "1984" apresentam paralelos na sociedade atual: a vigilância por câmeras em residências, a lei de privacidade na internet e a vigilância de ideologias e pensamentos políticos. Juliboni acrescentou que Londres possui a maior densidade de câmeras por metro quadrado e que a manipulação de informações, similar ao "Ministério da Verdade" da ficção, tem reflexos em revisões históricas ao redor do mundo.
Essa não é a primeira vez que o ministro André Mendonça se envolve em questões relacionadas à Polícia Federal; em 8 de setembro de 2026, ele já havia determinado o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada da Costa, e, em 7 de setembro, submeteu ao plenário do STF relatório da PF que continha mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, evidenciando um padrão de atuação no âmbito da segurança institucional.
Com informacoes de G1 Política.

