Metrô-DF confirma que peça solta provocou descarrilamento de trem
Metrô-DF confirmou que o descarrilamento ocorrido em 28 de julho foi causado por uma peça que se soltou da composição, embora ainda não tenha identificado de qual trem a peça se desprendeu.
A peça faz parte do sistema da barra de união dos trens da Série 1000 e possui parafusos chamados “fusíveis”, projetados para romper sob impactos severos, como frenagens intensas, a fim de proteger a barra de união; o projeto prevê que, nesses casos, a peça caia na via.
A empresa nunca avaliou a queda desse componente como risco operacional, apesar de o equipamento ter sido projetado para se soltar em situações específicas; após o acidente, a equipe de engenharia do Metrô-DF iniciou estudos para alterar o projeto dos trens.
Max Maciel (PSol), presidente da CTMU e deputado distrital, defendeu a apuração imediata da origem da peça e a verificação de outros trens para evitar novos incidentes, afirmando: “É muito grave o Metrô não conseguir identificar de qual trem se desprendeu uma peça capaz de provocar um descarrilamento. Isso mostra que a companhia está às escuras sobre as reais condições do material que está circulando”.
A inspeção realizada no Trem 32 após o acidente revelou quatro rodas com diâmetro abaixo do limite mínimo estabelecido, distribuídas entre os eixos 1 e 2 do carro 4, além de baixa espessura do friso em uma das rodas do eixo 1; os dois eixos foram posteriormente substituídos.
Apesar dessas constatações, o Metrô-DF sustentou que as manutenções da composição estavam em dia e garantiu que a condição das rodas não causou o descarrilamento; o deputado destacou que a presença de itens irregulares reflete anos de baixo investimento, frota envelhecida e falta de planejamento, dizendo: “Hoje temos material altamente desgastado, peças que já não são encontradas no mercado e uma manutenção com capacidade cada vez mais limitada”.
Em termos operacionais, o descarrilamento resultou no cancelamento de 184 viagens e impediu que cerca de 3,6 mil usuários acessassem o sistema entre a Central e a 114 Sul; o Metrô-DF estimou em aproximadamente R$ 90 mil os custos com a recuperação da via até o momento, enquanto os reparos na composição acidentada foram absorvidos pelo contrato de manutenção vigente.
Em resposta ao Correio Braziliense, a estatal informou que as causas e circunstâncias do ocorrido estão sob apuração da Comissão Permanente de Segurança do Metrô (COPESE); a investigação encontra‑se na fase de consolidação de dados e elaboração do relatório final, com prazo regulamentar de até 25 dias úteis, podendo ser prorrogado por igual período, e reiterou o compromisso com transparência, segurança operacional e prestação de informações à sociedade e à imprensa.
Com informacoes de Correio Braziliense.

