Messengeiro Sideral: Estrela ultrarrápida S301 orbita o buraco negro supermassivo Sagitário A*
Um grupo internacional de astrônomos anunciou a descoberta da estrela S301, considerada a mais rápida já registrada na Via Láctea, cuja velocidade chega a 25.000 km/s, equivalente a pouco mais de 8 % da velocidade da luz.
A observação foi realizada com o VLTI (Very Large Telescope Interferometer), uma configuração que combina os quatro telescópios de oito metros do Very Large Telescope, proporcionando uma resolução equivalente a um super‑telescópio 15 vezes maior que o de cada unidade.
Graças a essa capacidade, os cientistas conseguiram distinguir S301 ao redor do objeto conhecido como Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo localizado no centro da nossa galáxia, cuja massa foi estimada em 4,3 milhões de massas solares.
Os dados revelam que S301 completa uma volta completa ao redor de Sgr A* a cada 8,7 anos terrestres, seguindo uma órbita bastante achatada. No ponto de maior aproximação, a estrela se encontra a 1,78 bilhão de km do buraco negro – distância ligeiramente superior à separação entre o Sol e Saturno.
Essa proximidade permite que a órbita de S301 seja influenciada pela rotação do buraco negro. O grupo liderado por Reinhard Genzel, do Instituto Max Planck, na Alemanha, publicou os resultados na edição mais recente da revista Nature, apontando que o monitoramento da trajetória da estrela nos próximos anos pode possibilitar a medição direta da taxa de rotação do buraco negro em até uma década.
Além de servir como laboratório para a física relativística, a velocidade extrema de S301 gera efeitos de dilatação temporal. De acordo com a relatividade especial, a velocidade de 8 % c provoca uma dilatação de 0,35 % no tempo, o que corresponde a 30,5 horas a mais por ano. A dilatação gravitacional, prevista pela relatividade geral, adiciona mais 0,36 % devido ao intenso campo gravitacional de Sgr A*.
Considerando a órbita completa de 8,7 anos, o efeito total de dilatação temporal se reduz a 0,00937 %, resultando em aproximadamente sete horas a menos de passagem do tempo para a estrela em comparação com a Terra.
Os pesquisadores ressaltam que, embora os efeitos sejam modestos, a observação de S301 oferece uma oportunidade única para testar predições teóricas da relatividade em um dos ambientes mais extremos conhecidos.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

