Mercado de Soja: Negócios Contidos após Relatório do USDA

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 10/07/2026 19:21
Mercado de Soja: Negócios Contidos após Relatório do USDA

Foto: via Canal Rural

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com negociações mais contidas no mercado interno, enquanto os melhores negócios foram registrados nos portos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os prêmios permaneceram firmes ao longo da semana, sustentando as cotações mesmo com o recuo do dólar.

Silveira afirma que o produtor segue cauteloso e continua buscando preços ainda mais elevados para avançar nas negociações. “O mercado segue com boas indicações, mas o produtor continua cauteloso, buscando cotações ainda maiores”, destaca. Segundo o analista, a semana foi marcada por um volume expressivo de negócios, impulsionado pelas indicações mais firmes de preços.

Os preços da soja em diferentes regiões do país foram: Passo Fundo (RS) manteve em R$ 135,00 por saca; Santa Rosa (RS) manteve em R$ 136,00 por saca; Cascavel (PR) manteve em R$ 130,00 por saca; Rondonópolis (MT) manteve em R$ 122,00 por saca; Dourados (MS) subiu de R$ 121,00 para R$ 123,00 por saca; Rio Verde (GO) manteve em R$ 124,00 por saca. Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a referência em R$ 141,00 por saca, mesmo patamar observado em Rio Grande (RS).

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram a sexta-feira em alta, refletindo a repercussão do relatório mensal do USDA e a confirmação de uma venda de soja norte-americana para a China. O USDA estimou a safra dos Estados Unidos em 4,475 bilhões de bushels na temporada 2026/27, o equivalente a 121,8 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior de 4,435 bilhões de bushels (120,7 milhões de toneladas).

O mercado esperava uma produção de 4,457 bilhões de bushels, ou 121,3 milhões de toneladas. A produtividade foi mantida em 53 bushels por acre. Já os estoques finais da safra 2026/27 foram projetados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas, abaixo da expectativa do mercado, que estimava 324 milhões de bushels (8,8 milhões de toneladas). Para a temporada 2025/26, o USDA indicou estoques de passagem de 330 milhões de bushels, enquanto os analistas esperavam 337 milhões.

Outro fator de sustentação dos preços foi o anúncio de exportadores privados norte-americanos sobre a venda de 254 mil toneladas de soja para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27. No fechamento da sessão, o contrato julho/2026 avançou 14 centavos de dólar, ou 1,18%, para US$ 11,91 por bushel. A posição novembro/2026 subiu 9,25 centavos, ou 0,78%, encerrando a US$ 11,90¾ por bushel.

No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou a sexta-feira com queda de 0,29%, cotado a R$ 5,1068 na venda e R$ 5,1048 na compra. Durante o pregão, a moeda oscilou entre R$ 5,0988 e R$ 5,1253. No acumulado da semana, a desvalorização foi de 1,19%. Essa não é a primeira vez que o mercado de soja é impactado por fatores externos, como já mostramos anteriormente com as mudanças na estratégia de produção de alimentos da China e o fenômeno climático El Niño ameaçando a safra de soja no Sul do Brasil.

Com informacoes de Canal Rural.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

Tião é o agro do MOTNAF.NEWS de bota e chapéu. Cotação de soja, milho, boi e café, clima para a safra, tecnologia no campo, exportação e as decisões que mexem com quem produz o alimento do Brasil. Direto, sem enrolação e com o pé no barro, do pequeno produtor ao agronegócio que move o país.