Mãe de segurança afirma ter orientado filho a se entregar à polícia após linchamento em Copacabana
Neide, mãe de Davi, segurança que participou de um linchamento que resultou na morte de um adolescente em Copacabana, declarou que, ao chegar em casa nervoso e relatar ter socado um menino, ela lhe pediu que se entregasse à polícia.
Após a instrução da mãe, o inspetor da 12ª Delegacia de Polícia (DP) de Copacabana solicitou que Davi comparecesse à delegacia para reconhecer imagens; o pai o conduziu até o local, mas a grande aglomeração na porta gerou temor de que ambos fossem linchados, o que levou o casal à 53ª DP (Mesquita), onde Davi se entregou.
Neide afirmou que Davi apresenta problemas psicológicos desde o nascimento, mantendo em sua posse resultados de eletroencefalogramas que pretende apresentar à Defensoria Pública; ela relatou ter buscado tratamento intensivo para o filho, que apresentava hiperatividade e era frequentemente chamada à escola para conversar com a diretora.
A mãe explicou que, embora tenha conseguido controlar o comportamento de Davi na infância, ele, já adulto, recusou-se a seguir tratamento, alegando não ser “maluco”.
O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias, atualmente preso por participação indireta no crime, declarou em depoimento à 12ª DP (Copacabana) que ele e Davi foram contratados para vigilância de rua por um homem chamado Aluísio, localizado recentemente pelo GLOBO; Jorge afirmou que naquele dia não estava em serviço e soube do ocorrido somente após questionar os envolvidos.
Aluísio, que alegou estar ocupado e não forneceu sobrenome, pediu desculpas e informou que foi contratado pelos lojistas, equiparando-se a outros seguranças; ele será ouvido pela polícia nos próximos dias.
Outros cinco depoimentos foram colhidos: três comerciantes que supostamente contrataram o serviço de vigilância, uma mulher que entregou a Davi o porrete usado na agressão e um ciclista que presenciou o espancamento sem intervir.
Além de Davi e Jorge Luiz, os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Aílton José da Silva permanecem detidos por terem auxiliado a espancar a vítima nas primeiras horas do dia 12; os quatro acusaram injustamente Cláudio Rafael de ter roubado uma bicicleta.
Imagens de câmeras de segurança revelam que, durante o linchamento, um homem de casaco cinza com listras desferiu um chute na cabeça da vítima e se retirou; segundo o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP, o indivíduo desembarcou de um carro segundos antes da agressão, atravessou a rua e chegou ao local onde Cláudio Rafael era alvo de três agressores.
A Polícia Civil informou que, nas próximas horas, deverá identificar um quinto suspeito ligado à morte.
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Com informacoes de O GLOBO.

