Moradora de Copacabana denuncia grupos que promovem justiça com as próprias mãos após linchamento de Cláudio Rafael
Uma moradora de Copacabada, que preferiu não se identificar por questões de segurança, afirmou que circulam nas redes sociais grupos que estimulam a prática da chamada ‘justiça com as próprias mãos’ na região da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Ela declarou que, embora reconheça a impossibilidade da polícia cobrir todo o quarteirão, há meios de fiscalizar a área e que recorrer à violência individual não pode ser tolerado.
O depoimento faz referência ao caso de Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, que foi espancado até a morte após ser acusado de furtar uma bicicleta em Copacabana.
Segundo reportagem do Fantástico, a vila onde Rafael morava com a família foi alvo de um ataque semanas antes de sua morte. Por volta do final de junho, cerca de 20 entregadores arromaram o portão da comunidade e promoveram um ‘quebra‑quebra’ buscando um homem que teria dado calote.
A polícia informou que os entregadores acabaram agredindo moradores que não tinham relação com o suposto caloteiro. O episódio ocorreu antes do linchamento que culminou na morte de Rafael.
Investigações apontam que Rafael foi acusado injustamente de roubar a bicicleta e, a partir daí, passou a ser perseguido por dois entregadores e por dois seguranças do bairro. A informação sobre o suposto ladrão circulou entre os envolvidos, que chegaram a confrontar Rafael chamando‑o de ‘ladrão’ antes do início da violência.
O linchamento durou aproximadamente nove minutos; durante esse período Rafael recebeu 63 pauladas, além de socos e chutes. Após a agressão, ele ficou cerca de 30 minutos aguardando socorro e morreu depois de ser encaminhado para atendimento médico.
O delegado Angelo Lages, da Polícia Civil, afirmou que todas as pessoas que presenciaram a cena serão identificadas e ouvidas, podendo responder pelo crime de omissão de socorro, já que ‘presenciaram e nada fizeram’.
Lages reforçou que a atuação na segurança pública deve obedecer ao ordenamento jurídico, sendo responsabilidade exclusiva das polícias, e que todos têm direito ao devido processo legal.
A irmã de Cláudio Rafael, proprietária da bicicleta usada por ele, declarou que continuará acompanhando o caso e reiterou que ‘justiça com as próprias mãos não existe; o trabalho é da polícia e ponto’.
Vídeos do episódio foram disponibilizados no GloboPop, e o caso foi aprofundado nos podcasts ‘Isso É Fantástico’ e ‘Prazer, Renata’, disponíveis nas principais plataformas de streaming.
Com informacoes de G1.

