Lua vai ocultar Antares, a estrela supergigante vermelha, em evento de eclipse lunar
Na noite de quinta-feira, 20 de agosto, a Lua passará em frente de Antares (Alpha Scorpii), provocando um eclipse lunar que começa às 23h55, horário de Brasília, e termina por volta das 4h da madrugada de 21 de agosto. Embora o fenômeno não seja visível no Brasil, observadores em outras regiões poderão ver os dois corpos celestes muito próximos um do outro.
Antares é uma estrela supergigante vermelha de classe M que se localiza no coração da constelação de Escorpião e está a cerca de 600 anos-luz da Terra. A estrela tem aproximadamente 883 vezes o raio do Sol, possui entre 15 e 18 massas solares e apresenta uma densidade muito pequena, resultado de seu tamanho colossal combinado a uma massa relativamente baixa. Se fosse colocada no centro do Sistema Solar, a sua parte mais externa se encontraria entre as órbitas de Marte e Júpiter. Antares é uma estrela de variabilidade lenta, com magnitude aparente de +1,09, e é considerada a 16ª estrela mais brilhante do céu noturno, embora às vezes seja contada como a 15ª se os dois componentes mais brilhantes do sistema estelar quádruplo Capella forem considerados uma única estrela.
O nome Antares significa “o antagonista de Ares”, referindo-se ao deus da guerra na mitologia grega, que corresponde ao deus Marte na mitologia romana. O nome faz referência ao brilho avermelhado da estrela que antagoniza o brilho de Marte.
O mapa de visibilidade do evento, apresentado em contornos distintos, indica onde o desaparecimento de Antares poderá ser visto (em vermelho) e onde será possível testemunhar seu reaparecimento (em azul). Os riscos sólidos exibem onde a ocultação provavelmente será visível através de binóculos a uma altitude razoável no céu, enquanto os contornos pontilhados indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode não ser visível devido ao céu estar muito claro ou a Lua muito perto do horizonte.
O eclipse será visível principalmente no cone sul do continente americano, abrangendo grande parte do Chile, a região central e sul da Argentina, o Uruguai e as Ilhas Malvinas, além de setores da Antártica voltados para o Atlântico Sul. A etapa final do fenômeno, na qual Antares reaparece de trás do disco lunar, poderá ser observada no extremo sul do Chile e da Argentina, nas Ilhas Malvinas, nas Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, na remota Ilha Bouvet e em regiões do continente antártico. Em diversos outros locais o evento ocorrerá com os astros posicionados acima do horizonte, mas a observação direta será prejudicada ou inviabilizada pelas condições de iluminação do céu ou pela baixa elevação dos corpos celestes.
No Brasil, o fenômeno não será visível por dois motivos principais. Primeiro, a fase em que a estrela é encoberta pela Lua, que corresponde ao seu desaparecimento, será visível apenas em locais onde a Lua passa muito próximo do céu, mas não a cobre completamente devido à grande paralaxe. Segundo, a altura no céu: perto de 00h/01h da manhã, a constelação do Escorpião já estará muito baixa no horizonte a oeste, quase se pondo, o que dificulta a observação da estrela nessa posição. A própria atmosfera dificulta e distorce a visão da estrela nessa posição, tornando o fenômeno quase impossível de enxergar.
Além disso, a Lua desempenha o papel de coronógrafo neste evento. A NASA, em missões anteriores, identificou uma cratera de 18 metros aberta na Lua por um foguete Falcon 9, demonstrando a importância de observar o disco lunar em detalhes durante fenômenos de ocultação. O post “Eclipse” de Antares: Lua vai esconder uma das estrelas mais brilhantes do céu apareceu primeiro em Olhar Digital e traz informações detalhadas para os entusiastas que desejam acompanhar esse raro acontecimento astronômico.
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