Liberland: O Paraíso dos Bilionários Cripto
Liberland é como o paraíso prometido dos bilionários cripto, localizado entre Sérvia e Croácia. A ideia principal é que o governo pode ser substituído por uma administração baseada em blockchain, a mesma tecnologia que sustenta as criptomoedas.
As práticas, porém, extrapolam a tese e possuem uma lógica incomum no Brasil e em muitos outros países, onde comprar votos ou obter vantagens políticas por meio de pagamentos é crime. Na micronação de Liberland, quem doa mais influencia mais.
A contribuição financeira para transformar o projeto no refúgio ideal é recompensada com um token chamado Liberland Merit. Segundo o presidente da micronação, Vít Jedlička, “quem têm mais Merits consegue ter mais influência sobre quem fará parte da liderança”.
Liberland já acumula mais de uma década de existência, ao menos no papel. Segundo dados do site de Liberland, a micronação tem 1.295 cidadãos registrados e 812.284 solicitações de cidadania.
O território de apenas 7 quilômetros quadrados parece ter sido escolhido a dedo pelos idealizadores da micronação. Ele se situa em uma área da disputada fronteira entre Sérvia e Croácia que não é reivindicada por Belgrado e é considerada sérvio por Zagreb.
A paisagem contrasta com o futuro imaginado pelos idealizadores. Uma versão digital de Liberland, assinada pelo escritório ZHA, da arquiteta Zaha Hadid, exibe arranha-céus reluzentes, parques flutuantes e estruturas futuristas.
Polêmicas vão muito além da compra de influência. O ministro do Interior, Ivan Pernar, ex-deputado croata expulso do Parlamento por espalhar teorias da conspiração, defende a aplicação de um rigoroso “filtro” para a concessão de cidadania.
De acordo com ele, pessoas favoráveis às finanças descentralizadas costumam vir das classes mais altas. Em uma entrevista recente à BBC, Pernar não parou por aí.
Ele declarou que, se houvesse “um monte de vagabundos no país sem nada”, outras pessoas teriam de contribuir para seus benefícios. Em seguida, afirmou: “Não alimente os animais, porque, se fizer isso, eles se acostumarão e perderão a capacidade de se alimentar sozinhos. O mesmo acontece com as pessoas”.
O ministro disse ainda que, sem qualquer seleção das pessoas que chegassem de barco, o lugar acabaria como o Reino Unido — o que, segundo ele, “não é desejável”.
Como Liberland pretende sair do papel. Os organizadores acreditam que esse projeto poderá sair das telas graças ao apoio de cerca de 30 bilionários. Entre eles está Justin Sun, fundador da blockchain Tron, cuja fortuna é estimada em US$ 8,5 bilhões pela Forbes.
Com informacoes de Money Times.

