Kia Tasman estreia no Brasil com preço 'chinês' e desafia Hilux e Ranger
Apresentada no Salão do Automóvel do ano passado, a Kia Tasman inicia sua comercialização no Brasil como a primeira picape média da marca sul‑coreana no país, trazendo um design controverso e um motor diesel potente.
Inicialmente, será oferecida em única versão denominada GL, com preço de R$ 249.990, sendo importada da Coreia do Sul, enquanto a fabricante indica que novas configurações deverão chegar nos próximos meses.
"A Tasman não nasceu para ser bonita, nasceu para ser lembrada", afirmou Rafael Delcole, gerente de planejamento de produto e mercado da Kia no Brasil, destacando o visual como principal diferencial.
O modelo apresenta linhas mais retas nas laterais das portas, para‑brisa bastante inclinado, caixas de roda com acabamento preto semelhante ao dos para‑lamas dianteiros e lanternas horizontalizadas com arranjo vertical que lembram um "C" invertido; a tampa da caçamba traz o nome Kia em relevo.
Segundo a Kia, a Tasman supera as dimensões das concorrentes: mede 5,41 m de comprimento (superior à Ranger e à Hilux), 3,27 m de entre‑eixos (maior que a Toyota e igual à Ford), 1,93 m de largura e 1,87 m de altura.
A caçamba possui 1,51 m de comprimento, 1,57 m de largura e 54 cm de altura, comportando até 1.173 litros; a capacidade de carga chega a 1.007 kg e o peso total da picape é de 2.248 kg.
Os ângulos de entrada e saída são, respectivamente, 28,9° (contra 29° da Hilux e 29,9° da Ranger) e 25° (contra 25,8° da Toyota e 26° da Ford). A distância ao solo é de 23,1 cm, ligeiramente inferior à Hilux (28,6 cm) e à Ranger (23,4 cm), com capacidade de imersão de 80 cm.
Sob o capô, a Tasman utiliza o mesmo motor 2.2 L turbodiesel de quatro cilindros do Sorento renovado, porém entrega 210 cv de potência e 45 kgfm de torque, acoplados a transmissão automática de oito marchas e tração 4×4 com redução.
Em comparação, a Hilux oferece 204 cv e 50,9 kgfm, a Ranger 160 cv e 39,1 kgfm, e a Chevrolet S10 207 cv e 52 kgfm; a Ford ainda dispõe de versão V6 turbodiesel de 250 cv.
O tanque de combustível tem capacidade de 80 L e, de acordo com o Inmetro, o consumo médio fica em 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada.
No interior, destaca‑se a tela digital de 12,3" no painel de instrumentos, outra de 12,3" na central multimídia e um visor de 5" para informações do ar‑condicionado, totalizando 29,6" de área de visualização; há ainda botões físicos para funções essenciais e saídas de ar com grade tipo colmeia.
Um compartimento de armazenamento sob os bancos traseiros oferece 45 L de espaço.
A operação da Kia Motors no Brasil pode passar por reestruturação profunda; após 34 anos sob a representação do Grupo Gandini, a matriz está avaliando reassumir diretamente importação, distribuição e rede de concessionárias.
Esse plano depende da solução de um litígio histórico envolvendo a Asia Motors, marca incorporada nos anos 1970, que recebeu incentivos para montar fábrica na Bahia na década de 1990, mas nunca concretizou o projeto, gerando dívida estimada em mais de R$ 6 bilhões em valores atualizados.
José Luiz Gandini, presidente da Kia no Brasil, confirmou as negociações com o Governo Federal para quitar o débito da Asia Motors, mas informou que ainda não há avanços concretos e que o assunto permanece indefinido.
Se houver acordo, o Grupo Gandini deixaria de atuar na distribuição nacional, permanecendo apenas na rede de concessionárias.
Com informacoes de UOL.

