Juros futuros recuam enquanto Treasuries norte‑americanos sobem
A curva de juros futuros registrou queda em todos os prazos negociados nesta sexta‑feira, 21, contrastando com a trajetória ascendente observada nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,710%, representando recuo de 1,5 ponto‑base em relação aos 13,725% do pregão anterior.
Já o DI para janeiro de 2029, considerado de médio prazo, fechou em 14,160%, marcando queda de 10,5 pontos‑base frente aos 14,275% registrados no fechamento anterior.
O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2036, de longo prazo, diminuiu 17 pontos‑base, terminando o dia a 14,500% contra 14,670% na última quinta‑feira, 20.
Nos Estados Unidos, o rendimento (yield) do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,240% por volta das 18h (horário de Brasília), acima dos 4,185% do ajuste anterior. O retorno do título de 10 anos – referência para financiamentos imobiliários, de veículos e dívidas de cartão de crédito – subiu para 4,736%, partindo de 4,698% da quinta‑feira passada, no mesmo horário.
Um levantamento da BTG/Nexus divulgado na segunda‑feira, 17, apontou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) para um eventual segundo turno, embora o petista ainda lidere numericamente. A perspectiva de uma disputa mais acirrada tem sido bem‑recebida pelo mercado, que enxerga maior risco fiscal em um possível próximo mandato de Lula.
“As reações dos mercados financeiros, de modo geral, revelam uma preferência pela substituição do governo atual, sob a expectativa de uma política fiscal mais conservadora. Por isso, a menor vantagem de Lula sobre Flávio tem estimulado o apetite por ativos nacionais”, analisou Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Investidores também reagiram positivamente à informação, divulgada no início da tarde, de que Lula conversou por telefone com o presidente norte‑americano, Donald Trump, e que ambos debateram as tarifas americanas sobre produtos brasileiros, conforme informou o Palácio do Planalto.
O avanço dos rendimentos dos Treasuries ocorre em meio a questionamentos sobre os esforços do Tesouro dos EUA para estabilizar o mercado de títulos. O JP Morgan avaliou que não há indícios de problemas de liquidez, mas que a intervenção tem motivação política. Segundo o banco, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, demonstra desconforto com a alta dos rendimentos de longo prazo, que contraria o objetivo declarado pela secretaria. A medida, embora pontual, não atacaria a raiz do problema – o déficit dos EUA – tratando apenas os sintomas, como ressaltou a instituição.
Como já alertamos anteriormente sobre a pressão em juros globais de longo prazo, a situação evidencia que intervenções pontuais podem ser insuficientes para conter tendências estruturais nos mercados de renda fixa.
Com informacoes de Money Times.

