Juno Revela Calor Escondido em Io: Um Mundo com Febre

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 28/07/2026 20:07
Juno Revela Calor Escondido em Io: Um Mundo com Febre

Foto: XNqUf/AFp

A humanidade finalmente conseguiu olhar além da superfície congelada de Io e descobrir o calor escondido em seu interior. A sonda Juno, da NASA, passou a 1.494 quilômetros da superfície da lua de Júpiter em 30 de dezembro de 2023 e, pela primeira vez, mediu a temperatura escondida metros abaixo do solo.

Os resultados dessa medida inédita foram publicados na edição de julho do Journal of Geophysical Research: Planets, periódico da União Geofísica Americana. A equipe liderada por Shannon Brown, do Jet Propulsion Laboratory da NASA, descobriu que o calor interno de Io é mais de 20 graus mais quente do que a superfície.

Io é um satélite vulcânico que completa uma volta em torno de Júpiter a cada 42 horas e meia. Ele abriga mais de 400 vulcões ativos e lagos de lava maiores do que qualquer estrutura vulcânica terrestre. A superfície de Io é pintada de amarelo, laranja e branco pelo enxofre e pelo dióxido de enxofre congelado.

A história de como descobrimos esse inferno geológico é um dos episódios mais elegantes da ciência do século XX. A teoria de que o interior de Io deveria estar derretido pelo atrito das marés foi prevista em 1979 por Stan Peale, Patricia Cassen e Ray Reynolds.

A ressonância de Laplace, uma coreografia gravitacional, é o motor por trás da atividade vulcânica em Io. A órbita do satélite é mantida levemente excêntrica pelas marés de Júpiter, o que causa a deformação do corpo sólido de Io e a conversão desse amassamento em calor.

A produção total de calor de Io é estimada entre 0,8 e 1,2 × 10¹⁴ watts, o equivalente a cerca de sete mil usinas de Itaipu operando a plena carga. Essa energia é espalhada pela superfície do satélite, resultando em um fluxo médio de 2 a 3 watts por metro quadrado.

A sonda Juno usou seu instrumento de radiômetro de micro-ondas para medir a temperatura escondida em Io. O MWR escuta a radiação térmica emitida pelo subsolo do satélite e entrega um perfil vertical de temperatura sem que seja preciso tocar o solo.

Os dois sobrevoos da Juno receberam os nomes técnicos de PJ57 e PJ58 e ocorreram em 30 de dezembro de 2023 e 3 de fevereiro de 2024, respectivamente. A equipe de cientistas liderada por Shannon Brown analisou os dados coletados e descobriu que o calor interno de Io é mais de 20 graus mais quente do que a superfície.

A descoberta abre novas perspectivas para a pesquisa sobre a geologia de Io e pode ajudar a entender melhor a formação e evolução do satélite.

Com informacoes de Space Today.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.