JP Morgan eleva preço‑alvo da Sabesp para R$ 35 após reunião com CFO e revisa projeções

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 08/09/2026 14:55
JP Morgan eleva preço‑alvo da Sabesp para R$ 35 após reunião com CFO e revisa projeções

Foto: via Money Times

JP Morgan elevou o preço‑alvo da Sabesp (SBSP3) de R$ 34 para R$ 35, mantendo a classificação overweight (equivalente à compra) e indicando um potencial de alta de 31,9% em relação ao último fechamento, com base em mensagens positivas de uma reunião com o CFO da companhia, Daniel Szlak. Não é a primeira vez que a Sabesp tem seu preço‑alvo revisado por grandes bancos; em agosto, o Itaú BBA reduziu o seu de R$ 34 para R$ 33,10, conforme já reportamos.

As estimativas de EBITDA foram aumentadas em 3% para o período 2027‑28, refletindo a expectativa de que uma compensação regulatória mais robusta compense um ritmo de cortes de Opex mais gradual, embora de magnitude semelhante.

A projeção de lucro líquido recebeu alta de 15% para 2028‑29, em função da revisão das premissas de capex, que passaram de R$ 89 bilhões para R$ 75 bilhões no horizonte 2026‑29.

Os analistas destacam que a administração reiterou amplo espaço para novos cortes de Opex, apesar da redução de aproximadamente 20% no Opex por unidade desde a privatização. A mensagem positiva responde a dúvidas levantadas após os resultados do 2T26, mas a empresa adotou um tom mais conservador quanto ao ritmo dos cortes, em comparação com a queda de dois dígitos observada no exercício fiscal de 2025.

JP Morgan agora assume cortes de Opex de 5% ao ano no período 2027‑31, contra 10%‑15% projetados para 2027‑28, o que implica uma redução de 1% no valor presente líquido (VPL) em relação ao cenário‑base anterior.

A administração aponta risco de impacto menor nas receitas do segundo semestre de 2026 decorrente de correções nas contas de água (cerca de R$ 300 milhões) e dos descontos concedidos a grandes clientes industriais (R$ 130 milhões por ano). O último fator pode ser compensado por uma audiência pública regulatória em andamento, prevista para conclusão no segundo semestre de 2026; esses elementos não foram incorporados nas estimativas para o exercício de 2026.

O relatório do JP Morgan indica que as compensações financeiras regulatórias foram pouco mencionadas na reunião, mas os analistas revisaram as premissas, assumindo um atraso no reconhecimento do capex na RAB: R$ 1,2 bilhão a ser implementado na revisão de janeiro de 2027 e cerca de R$ 3 bilhões em média nas revisões de 2028‑30.

Sobre o repasse, o banco mantém a estimativa de R$ 1,3 bilhão para compensações regulatórias relacionadas a itens de repasse, mas identifica risco de alta, especialmente nas tarifas subsidiadas.

Sabesp planeja investir entre R$ 18 e R$ 20 bilhões em capex no ano de 2026, frente a R$ 7,5 bilhões investidos no primeiro semestre, praticamente alinhado aos R$ 18,8 bilhões estimados pelo JP Morgan. Para 2027‑28, as projeções de capex foram reduzidas para R$ 20 bilhões por ano (de R$ 25 bilhões), com base em níveis semelhantes aos do exercício de 2026.

A redução do capex implica impacto inferior a 1% no VPL do cenário‑base e diminui a alavancagem estimada para cerca de 2,8 vezes a dívida líquida/Ebitda em 2027‑30, frente a aproximadamente 3,2 vezes anteriormente.

Sabesp registrou lucro líquido de R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre de 2026, 31,4% abaixo do ano anterior, mas dentro do esperado pelo mercado, enquanto avança em investimentos bilionários para cumprir a meta de universalização dos serviços no Estado de São Paulo até 2029.

O resultado operacional, medido pelo EBITDA, foi de R$ 3,9 bilhões de abril a junho, estável em relação ao mesmo período do ano passado, conforme balanço divulgado nesta quarta‑feira.

Analistas esperavam lucro líquido de R$ 1,53 bilhão e EBITDA de R$ 3,76 bilhões para o trimestre, segundo dados compilados pela LSEG.

A receita líquida chegou a R$ 10,2 bilhões no segundo trimestre, 13,9% acima do mesmo período do ano anterior. A receita de serviços de saneamento somou R$ 6,59 bilhões, 12,1% maior que no ano passado e ligeiramente acima dos R$ 6,34 bilhões projetados pela LSEG.

A companhia investiu R$ 7,5 bilhões no primeiro semestre, representando crescimento de 15,6% na comparação anual.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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