James Webb revela 27 pequenos mundos transnetunianos além de Netuno
Os observatórios espaciais James Webb e Hubble detectaram, pela primeira vez, 27 corpos diminutos localizados além da órbita de Netuno, classificados como objetos transnetunianos (TNOs). Todos apresentam diâmetro inferior a 40 quilômetros, sendo que o menor mede cerca de 10 quilômetros.
Essa descoberta surpreende a comunidade científica porque, mesmo os menores desses corpos, mantêm traços que parecem registrar as condições de sua origem, embora os modelos prevejam que colisões ao longo de bilhões de anos deveriam ter modificado suas superfícies.
Os TNOs orbitam o Sol em regiões muito distantes de Netuno. Muitos deles se formaram nos primeiros estágios do Sistema Solar como fragmentos que não cresceram o suficiente para se tornar planetas. Segundo os modelos, esses objetos teriam sido bombardeados por inúmeros impactos, o que deveria ter misturado seus materiais superficiais e alterado sua cor e composição.
Contrariando essas previsões, as medições realizadas pelos telescópios mostram que os pequenos TNOs ainda exibem propriedades que parecem guardar informações sobre sua gênese.
Os objetos observados dividem‑se em dois grupos dinâmicos. O primeiro, denominado “dinamicamente frio”, segue órbitas quase circulares e alinhadas ao plano do Sistema Solar, sendo considerado relativamente preservado desde a sua formação. O segundo, “dinamicamente quente”, possui trajetórias mais alongadas e inclinadas; esses corpos teriam nascido entre Urano e Netuno e foram deslocados para regiões mais externas por interações gravitacionais durante o crescimento dos planetas gigantes.
“Esses TNOs dinamicamente quentes mantêm uma assinatura de onde nasceram, mesmo tendo suas órbitas embaralhadas desde então”, explicou David Trilling, da Northern Arizona University.
A descoberta abre diversas possibilidades: (i) a taxa de colisões nas áreas mais remotas do Sistema Solar pode ser menor do que se estimava; (ii) os impactos que ocorrem talvez não alterem significativamente as superfícies dos pequenos TNOs, ao contrário do que sugerem os modelos atuais; (iii) as populações dinamicamente frias e quentes exibem distribuições de tamanho quase idênticas; (iv) há menos objetos extremamente pequenos do que as teorias de formação preveem.
O James Webb foi fundamental para estimar os diâmetros dos 27 corpos. Enquanto a luz visível de um TNO depende tanto do seu tamanho quanto da capacidade de reflexão da superfície, a radiação infravermelha observada pelo JWST está quase exclusivamente ligada ao tamanho, permitindo medições mais precisas.
Além disso, a análise revelou que há menos objetos muito pequenos do que os modelos de formação antecipavam, e que as duas populações dinâmicas compartilham uma distribuição de tamanhos semelhante.
Os TNOs detectados são extremamente tênues, com magnitudes entre 24,1 e 29,3. A dificuldade de observá‑los foi comparada, no estudo, a tentar enxergar uma nuvem de vaga‑lumes na superfície lunar a partir da Terra.
Essa campanha representa o levantamento mais profundo já realizado nessa zona ainda pouco explorada além de Netuno.
Os resultados foram divulgados em dois artigos publicados no The Astronomical Journal em 8 de setembro: um focado em cor e composição dos TNOs e outro na distribuição de tamanhos.
Depois de Hubble e Webb, nova geração de telescópios vem para fazer história; um novo telescópio da NASA conta com participação brasileira, e a estação espacial chinesa está programada para receber uma “minilua”.
Com informacoes de Olhar Digital.

