Itaú BBA vê potencial de alta de 41% nas ações do Nubank e mantém recomendação de compra
Itaú BBA mantém recomendação de compra (Outperform) para as ações do Nubank (NU;ROXO34) negociadas na NYSE, estabelecendo preço‑alvo de US$ 20, o que representa um potencial de alta de 41%.
A equipe liderada por Pedro Leduc considera a tese de investimento ainda sólida, mesmo diante das recentes preocupações de mercado; o resultado do segundo trimestre superou as expectativas, levando o banco a manter praticamente inalteradas as projeções para 2026 e a elevar em cerca de 3% as estimativas para 2027.
Embora reconheçam desafios ligados à qualidade de crédito, os analistas apontam para uma perspectiva mais equilibrada que difere do pessimismo predominante. O modelo de baixo custo do Nubank, que permite suportar níveis mais elevados de inadimplência em faixas de renda baixa, deve reforçar sua proposta de valor, sobretudo após o lançamento do cartão Croma, que oferece recompensas aprimoradas.
Com mais de 12 milhões de clientes no segmento denominado “super core”, a fintech poderia ampliar sua participação de mercado nas faixas de renda média e alta, o que elevaria a carteira total de crédito no Brasil em cerca de 60% em relação ao patamar atual.
As margens financeiras líquidas ajustadas ao risco (NIM) são menores, mas o movimento favorece tanto o lucro por ação (EPS) quanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). O potencial de expansão de depósitos e receitas de tarifas também é considerado significativo.
No México, a obtenção da licença bancária prevista para 2027 deve contribuir positivamente. Itaú BBA projeta crescimento de 35% no lucro líquido em 2026 e de 21% em 2027, ambos em reais, com ROE próximo a 29%, tornando o múltiplo preço‑lucro de 14 vezes estimado para 2027 atrativo.
O desempenho na baixa renda tem sido destacado: o Nubank teria cerca de 27% de participação de mercado em cartões e empréstimos pessoais no país, criando um mercado formal de crédito para consumidores com risco mais elevado, normalmente excluídos pelos bancos tradicionais.
Embora a expansão adicional nesse segmento esteja se tornando mais difícil, os analistas apontam que aproximadamente 40% da participação ainda está nas mãos dos grandes bancos (S1), que vêm reduzindo sua exposição. Entre clientes com renda de 3 a 10 salários mínimos, a participação do Nubank subiu de cerca de 8% em 2023 para estimativas de 14% atualmente; na alta renda, permanece abaixo de 5%.
Para a faixa de renda média, o Nubank pretende usar sua estrutura de custos baixos para oferecer benefícios e recompensas, como demonstrado pelo Croma e pelos recentes aumentos nos limites dos cartões. Mesmo com NIMs e receitas de intercâmbio menores nesse grupo, o lucro total em reais pode ser maior, elevando o ROE ao alavancar depósitos e patrimônio.
Após avançar no México e na Colômbia, a fintech solicitou, em setembro do ano passado, licença bancária nos Estados Unidos junto ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC). A empresa assegurou que a expansão será disciplinada, sem elevar o índice de eficiência em mais de 100 pontos‑base nos próximos dois anos, com custo estimado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões anuais, segundo UBS BB.
O UBS BB, liderado por Thiago Batista, também recomenda compra, com preço‑alvo de US$ 18,20, ressaltando que o Nubank continuará operando como empresa de baixo custo e não precisa buscar grande participação nos EUA, focando menos em latino‑americanos ou clientes tradicionalmente desatendidos.
Não é a primeira vez que o cenário de investimentos apresenta volatilidade, como observamos recentemente na alta de mais de 5% do ouro após intervenção do Tesouro dos EUA, reforçando a importância de análises detalhadas como a apresentada pelo Itaú BBA.
Com informacoes de Money Times.

