Igreja Presbiteriana do Brasil elege novo presidente em meio a tensões políticas e doutrinárias
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), uma das denominações evangélicas mais tradicionais e influentes do país, elegeu nesta segunda-feira (27) o reverendo Juarez Marcondes Filho como novo presidente de seu Supremo Concílio.
Marcondes venceu a disputa em segundo turno contra o reverendo Robinson Grangeiro, atual chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que é ligada à IPB.
Marcondes já era secretário-executivo da IPB e será substituído por Grangeiro no cargo. A eleição foi realizada em um momento de grande tensão dentro da igreja, com debates sobre os rumos pastorais e institucionais.
Entre as questões mais sensíveis está o papel feminino na estrutura da igreja. Em 2022, o Supremo Concílio determinou interdições severas à participação das mulheres no cotidiano da igreja, como pregar em cultos solenes e distribuir a Santa Ceia.
Além disso, o envolvimento de lideranças presbiterianas no debate político e social, sobretudo em prol do bolsonarismo, tem gerado fricções internas sobre os limites da atuação institucional da IPB na arena pública.
Marcondes Filho substitui o reverendo Roberto Brasileiro Silva, que liderava o Supremo Concílio desde 2002. Brasileiro virou vice-presidente, de acordo com a constituição da IPB.
A ascensão de Marcondes ocorre em um momento em que a denominação enfrenta desafios internos, incluindo a necessidade de dialogar com as demandas das novas gerações sem desfazer a coesão teológica com as frentes mais conservadoras do presbiterianismo.
Um parecer apresentado por lideranças do Tocantins questiona se o movimento deveria ser vetado para membros da igreja, por recorrer a metodologias típicas de coaching que, na avaliação da comissão responsável pelo documento, acabam relativizando a suficiência das Escrituras e da obra de Jesus Cristo.
Em entrevista para um canal presbiteriano, Marcondes se apresentou como a quinta geração de presbiterianos da família no Brasil e destacou como prioridade reafirmar a ligação do Mackenzie com a tradição reformada associada ao protestantismo histórico, de igrejas como a presbiteriana e a metodista.
Isso envolve um cuidado, segundo ele, para evitar que a militância ideológica em sala de aula subverta os valores bíblicos.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

