Igreja Presbiteriana desaprova participação em movimento Legendários
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou uma recomendação que orienta pastores, presbíteros, diáconos e membros a não participarem ou apoiarem o grupo Legendários, que se apresenta como uma iniciativa para “restaurar o verdadeiro potencial masculino”.
A decisão foi tomada pelo Supremo Concílio, assembleia da denominação, que se reuniu em Manaus. Os pastores da Igreja entenderam que o movimento é incompatível com a doutrina da religião.
Segundo o documento, os Legendários adotam metodologias "pragmáticas, neopentecostais e experienciais" contrárias aos princípios da denominação. O parecer sustenta que essa abordagem relativiza a suficiência das Escrituras e da obra de Jesus Cristo.
A análise foi baseada em um parecer elaborado pelo Sínodo do Tocantins, que criticava a incorporação de práticas inspiradas no ambiente corporativo, como técnicas motivacionais e estratégias de marketing. Entre os exemplos apontados estão gritos de guerra, o uso de camisetas padronizadas e a identificação numérica dos participantes, incluindo situações em que Jesus Cristo seria chamado de “Legendário 001”.
Para os religiosos, essas estratégias transformariam a vivência religiosa em "experiência de consumo". Outro ponto levantado é que atividades como restrição alimentar, esforço físico intenso e pressão psicológica podem provocar estados emocionais posteriormente interpretados como experiências espirituais.
O parecer ainda alerta que o movimento pode estimular uma divisão entre os chamados “legendários” e os demais membros da igreja, comprometendo a unidade das congregações e enfraquecendo a autoridade de pastores e conselhos.
Nascido na Guatemala, em 2015, com o propósito de "restaurar o verdadeiro potencial masculino" e hoje com mais de 100 mil adeptos no mundo, o movimento cristão Legendários se espalhou no Brasil com o impulsionamento de celebridades e políticos.
Até agora, ao menos 17 cidades — inclusive as capitais Campo Grande, Cuiabá e Vitória — e dois estados — Mato Grosso e Paraná — já instituíram como lei o Dia dos Legendários.
Além disso, integrantes com maior influência econômica deste movimento que só tem homens passaram a incorporar práticas ligadas ao universo financeiro como uma forma de prosperidade, para atrair novos participantes.
No Brasil desde 2017, quando chegou em Balneário Camboriú (SC), o movimento não está ligado a uma religião específica, embora a maioria dos eventos esteja vinculada a grandes denominações evangélicas.
Para se tornar um legendário, os homens precisam passar 72 horas em uma montanha, sem contato com o mundo exterior, e superar desafios físicos e espirituais. Levar uma Bíblia é requisito obrigatório.
O objetivo é alcançar uma "nova relação" com Deus, com a promessa de que os participantes se tornarão melhores maridos e pais. O preço para subir a montanha como legendário custa em média R$ 1,5 mil, conforme a localidade escolhida.
Com informacoes de O GLOBO.

