IAs Clonam Médicos para Vender Remédios Falsos no TikTok: Desinformação em Alta
Vídeos com médicos gerados por inteligência artificial estão enganando milhões de usuários do TikTok com curas falsas e remédios sem comprovação científica. É o que aponta um estudo publicado recentemente pela agência de marketing digital Hallam, que analisou 1.198 vídeos de saúde na plataforma.
A pesquisa encontrou conteúdo gerado por IA em 40% dos vídeos de saúde mais vistos no TikTok. Em buscas por termos como 'dicas de saúde', esse percentual sobe para 84%. Os vídeos com médicos falsos de maior audiência tiveram, em média, 2,5 milhões de visualizações cada.
Os avatares seguem um roteiro parecido. Simulam a fala confiante de um médico, misturam recomendações plausíveis com mitos já desmentidos e terminam indicando algum produto. A Hallam não encontrou nenhum vestígio online de um suposto suplemento antienvelhecimento chamado 'Hyalethinap Plus Pro Max', citado em um dos vídeos analisados.
Outros vídeos reforçam mitos antigos sobre câncer, como a ideia de que aquecer comida em plástico no micro-ondas, usar desodorante ou dormir perto do celular pode causar a doença. A Cancer Research UK já refutou essas afirmações.
Um dos avatares também recomendava uma mistura de Coca-Cola com cebola como remédio para dor. Especialistas pedem mais controle das plataformas.
A vice-presidente do conselho da British Medical Association, Emma Runswick, afirmou que plataformas como o TikTok precisam agir com mais rigor contra a desinformação médica. Segundo ela, a inação pode custar a saúde e até a vida dos usuários.
A diretora médica nacional do NHS England, Frankie Swords, disse que médicos têm relatado um número crescente de pacientes preocupados e confusos por causa de informações falsas produzidas apenas para gerar cliques.
A presidente do Royal College of GPs, Victoria Tzortziou Brown, também demonstrou preocupação com os riscos reais de dano à saúde causados pelo conteúdo enganoso.
Alex Ruani, pesquisadora de desinformação em saúde da University College London, descreveu o fenômeno como uma exploração industrializada da confiança do público.
O problema não se limita a avatares genéricos. Em fevereiro, a organização sem fins lucrativos Science Feedback identificou 18 contas que usavam médicos falsos gerados por IA, algumas com centenas de milhares de seguidores e vídeos somando 14 milhões de visualizações.
O executivo-chefe da American Medical Association, John Whyte, alertou na ocasião que golpistas estavam clonando rostos e vozes de médicos reais e credenciados.
A plataforma TikTok contestou os resultados da pesquisa da Hallam, atribuindo as conclusões a uma agência com interesses comerciais.
A plataforma afirmou que remove conteúdo de desinformação em saúde, inclusive quando gerado por IA, e que mantém parcerias com a Organização Mundial da Saúde e o NHS para oferecer informações confiáveis dentro do aplicativo.
Com informacoes de Canaltech.

