Houthis lançam dezenas de mísseis contra a Arábia Saudita; Riyadh contata EUA após dano a oleoduto estratégico
A Organização das Nações Unidas informou que cerca de 46 mil pessoas abandonaram o Iêmen após a escalada das ações dos Houthis na região, reforçando a gravidade humanitária do conflito.
Em entrevista, o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que os rebeldes houthi solicitaram que os EUA não interviessem nas hostilidades, ao mesmo tempo em que apontou o Irã como "provavelmente" responsável pelos recentes ataques aéreos.
Yahya Saree, porta‑voz militar dos Houthis, declarou que o grupo lançou "dezenas de mísseis balísticos e drones" contra alvos militares no sul da Arábia Saudita, incluindo hangares de aviões de combate, radares, pistas de pouso, depósitos de munições e outros pontos localizados na base aérea Rei Khalid.
A Defesa Civil da Arábia Saudita emitiu alertas nas cidades de Khamis Mushait, onde está situada a base, e em Abha, alvo de ataques houthis na semana anterior.
Um morador de Khamis Mushait, entrevistado pela AFP, relatou ter ouvido "explosões intensas" que provocaram incêndios nas imediações.
Nos últimos dias, os Houthis reivindicaram uma postura de protagonismo no conturbado cenário do Oriente Médio, ao lançar uma ofensiva contra territórios controlados pelo governo iemenita reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, bem como ao atacar o país vizinho.
No final da semana passada, o grupo afirmou ter atingido alvos militares sauditas e instalações do setor petrolífero; contudo, o dano mais significativo registrado foi ao oleoduto Leste‑Oeste, cuja autoria ainda não foi oficialmente atribuída a nenhum grupo.
Riyadh informou que o drone responsável pelo ataque teria cruzado a fronteira pelo Iraque, culpando milícias que operam naquele país.
O presidente americano Donald Trump, por sua vez, sugeriu que o Irã seria "provavelmente" o responsável pela ação contra o oleoduto.
Devido ao incidente, o oleoduto Leste‑Oeste precisou ser temporariamente fechado, o que, segundo analistas, contribuiu para a alta dos preços do petróleo no mercado internacional.
O avanço territorial dos Houthis aumentou a pressão sobre os mercados, pois o grupo agora controla a faixa litorânea do oeste do Iêmen, incluindo a cidade portuária de Mokha e um conjunto de ilhas no Mar Vermelho, entre elas a ilha de Perim, situada quase no centro do Estreito de Bab el‑Mandeb — rota que a Arábia Saudita utilizava como alternativa ao Estreito de Ormuz para exportar seu principal produto aos mercados asiáticos.
Embora os Houthis já tivessem disparado contra navios‑petroleiros sauditas, o controle da região amplia as possibilidades de replicar um fechamento da via naval que dá acesso ao Canal de Suez, semelhante ao realizado pelo Irã no outro extremo da Península Arábica, ou ainda de impor um bloqueio seletivo aos embarcações sauditas.
Em comunicado divulgado na semana passada, os rebeldes afirmaram que seus avanços no Mar Vermelho não comprometeriam a livre navegação pela via, posicionamento que não foi suficiente para acalmar as preocupações dos países da região.
O Egito rejeitou uma proposta dos Houthis para negociações diretas sobre segurança e liberdade de navegação no Mar Vermelho, temendo que contatos diretos pudessem equivaler a um reconhecimento formal do grupo.
Uma reunião prevista para esta segunda‑feira entre Estados do Golfo e o Irã, destinada a discutir o futuro do Estreito de Ormuz, foi adiada; Teerã alegou que a situação no Iêmen teria sido usada por Riad como "pretexto" para postergar as negociações.
Embora o Irã tenha contribuído para o desenvolvimento militar, bélico e tecnológico dos Houthis como parte da aliança conhecida como "Eixo da Resistência", persistem divergências quanto ao grau de controle que Teerã exerce sobre as ações do grupo.
Os Houthis estão envolvidos em uma guerra civil desde 2014; o conflito foi retomado em julho deste ano após um ataque atribuído à Arábia Saudita contra um aeroporto iemenita, o que pôs fim a um cessar‑fogo assinado em 2022.
Os rebeldes demonstram objetivos próprios, embora a agenda interna pareça beneficiar os interesses iranianos.
Teerã havia ameaçado abrir "novas frentes" na guerra com os Estados Unidos, incluindo o fechamento de Bab el‑Mandeb, antes mesmo da retomada das atividades militares pelos Houthis.
Com o aumento das tensões e o avanço do grupo sobre a região, as preocupações sobre a estabilidade do comércio marítimo e da segurança energética continuam em alta.
Com informacoes de O GLOBO.

