Gestor da Alphakey aponta oportunidades raras na bolsa após queda equivalente a uma Vale

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 22/08/2026 08:04
Gestor da Alphakey aponta oportunidades raras na bolsa após queda equivalente a uma Vale

Foto: via Seu Dinheiro

A última vez que Christian Keleti, CEO da gestora Alphakey, encontrou uma relação tão favorável entre risco e retorno na bolsa brasileira foi durante a recessão do governo Dilma Rousseff, há cerca de dez anos. Uma década depois, o gestor acredita que o mercado voltou a oferecer uma janela rara para quem está disposto a comprar ações em meio à turbulência.

Keleti aponta que, em apenas 11 pregões, as companhias listadas perderam, juntas, R$ 306 bilhões em valor de mercado, o que representa uma queda de 6,2%. Para dimensionar o tombo, ele compara a perda ao desaparecimento de praticamente uma Vale (VALE3), avaliada em R$ 304,5 bilhões, da bolsa.

O recuo foi impulsionado pela piora do risco‑país: a inflação permanece pressionada, os juros estão na casa dos 14% e as preocupações com as contas públicas voltaram ao centro das decisões dos investidores. A possibilidade de reeleição do presidente Lula também passou a ser incorporada aos preços, com o mercado enxergando o petista como mais inclinado à expansão dos gastos e, portanto, menos propenso a conduzir um ajuste fiscal.

Segundo Keleti, a combinação entre aversão ao risco e vendas indiscriminadas acabou nivelando o tratamento das empresas mais vulneráveis com as que continuam entregando bons resultados, derrubando os preços de ambas. Por isso, ele prefere concentrar a carteira em companhias capazes de atravessar o ambiente adverso e ainda remunerar o acionista.

Entre as favoritas estão empresas de energia, saneamento, shopping centers e construção civil. A Copasa (CSMG3) é citada como um dos principais exemplos, com potencial de distribuir dividendos equivalentes a 10% a 15% do preço da ação, um cenário que se tornou mais claro após o processo de privatização que alterou a percepção sobre a empresa.

De forma semelhante, a Copel (CPLE6) oferece uma tese que pode gerar dividend yield próximo de 10%. Ambas as companhias negociaram com descontos elevados em relação às NTN‑Bs, títulos públicos atrelados à inflação, e agora contam com estruturas privadas que, na leitura de Keleti, tornam as teses ainda mais atraentes.

A Equatorial (EQTL3) também aparece na carteira, porém com foco diferente: ao contrário de Copasa e Copel, a empresa não se destaca pelo pagamento de dividendos. O dinheiro permanece no negócio para financiar a expansão em saneamento, inclusive por meio de investimentos na Sabesp (SBSP3) e na própria Copasa.

No segmento de shopping centers, Keleti destaca a Allos (ALOS3) como sua preferência. Ele afirma que a empresa combina um crescimento de dividendos muito alto com um retorno de cerca de 4 pontos acima da NTN‑B, proporcionando um “carrego” positivo. Segundo o gestor, os shoppings podem oferecer um retorno de 12% a 15% acima da inflação. Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3) também estão bastante descontados, mas não proporcionam o mesmo nível de dividendos, o que coloca a Allos à frente na seleção.

Na construção civil, Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) negociam entre cinco e seis vezes o lucro e podem entregar dividend yields de 10% a 15%. Keleti acredita que, apesar do receio de desaceleração da economia, os programas públicos de habitação – como o Minha Casa, Minha Vida ou Casa Verde e Amarela – continuarão a gerar demanda, independentemente do vencedor das eleições.

Nem todas as ações descontadas merecem entrar na carteira. Entre as grandes exportadoras, Keleti mantém postura seletiva e, por exemplo, a Vale (VALE3) não faz parte das recomendações atuais, reforçando que a análise cuidadosa de risco continua sendo essencial.

Não é a primeira vez que a Vale aparece em nossas análises; como já mostramos em cobertura anterior, a empresa tem enfrentado desafios significativos no mercado.

Com informacoes de Seu Dinheiro.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

Dinho é o especialista em dinheiro do MOTNAF.NEWS. Vive de olho na economia, nos benefícios e em tudo que mexe com o seu bolso — se envolve grana, ele está de plantão. Acompanha o PIX, o Bolsa Família, o INSS, o FGTS e os investimentos com o cuidado de quem entende do assunto. Do salário mínimo à Bolsa de Valores, nenhuma novidade passa batido. Explica o complicado de um jeito simples, sem economês chato pra ninguém ficar perdido. Mostra o que muda na prática e como você pode cuidar melhor do seu dinheiro. Seu compromisso é te ajudar a não perder prazo, direito nem oportunidade. Sempre ágil, traz a informação certa na hora certa. Cada matéria é feita pensando em quem quer o bolso mais tranquilo. É MOTNAF.NEWS, é economia de verdade.