Gelo Lunar: O Fator Decisivo para a Exploração Espacial

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 08/07/2026 18:00
Gelo Lunar: O Fator Decisivo para a Exploração Espacial

Foto: rBrb/AFP

Experimentos de laboratório a 90 e 220 kelvins mostram que, nas concentrações realmente esperadas nos polos lunares, o gelo não altera a estabilidade do terreno. Em Marte, alguns graus mais quente, a história muda. No fundo de crateras que não recebem um único raio de Sol há mais de dois bilhões de anos, onde o termômetro afunda abaixo dos 110 kelvins e a temperatura se aproxima daquela em que o nitrogênio se torna líquido, existe um material discreto e teimoso que pode definir os próximos passos da humanidade longe da Terra.

Uma dupla de pesquisadores da Universidade do Havaí decidiu responder à questão da forma mais direta possível: recriando pedaços da Lua dentro de um freezer, encharcando-os de nitrogênio líquido e empurrando-os até o colapso. O trabalho, assinado por N. de Castro e S. Li, do Instituto de Geofísica e Planetologia do Havaí, em Mānoa, e publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, ataca um ponto cego que se tornou urgente.

As regiões permanentemente sombreadas dos polos lunares, conhecidas pela sigla em inglês PSRs, de permanently shadowed regions, são hoje os alvos mais disputados da exploração espacial. São porções do fundo e das paredes mais baixas de crateras que, por causa da inclinação minúscula do eixo de rotação da Lua, de apenas cerca de um grau e meio, jamais enxergam o Sol. Sem luz direta, elas se transformam em armadilhas frias capazes de aprisionar moléculas voláteis por eras geológicas inteiras.

É ali que orbitadores detectaram água na forma de gelo, e é para lá que apontam quase todos os planos das próximas décadas, da missão tripulada Artemis IV ao veículo lunar pressurizado, do rover chinês Chang’e 7 à missão LUPEX conduzida por Japão e Índia, até a ambição de erguer uma base permanente no polo sul lunar, seja a Estação Internacional de Pesquisa Lunar, seja a infraestrutura norte-americana que a acompanha.

A dúvida central do estudo é se o gelo de água, naquelas temperaturas absurdamente baixas, funciona como a água que dá liga ao castelo de areia ou como um intruso que rompe as ligações químicas entre os grãos de silicato e convida o terreno ao colapso. Causa espanto que uma questão tão básica tenha ficado tanto tempo sem resposta, e a explicação está na dificuldade brutal de reproduzir essas condições num laboratório.

Para fugir dessa armadilha metodológica, De Castro e Li construíram seu gelo de um jeito engenhoso e quase artesanal. Cubos de gelo de água destilada foram triturados num liquidificador de metal junto com nitrogênio líquido, e os grãos resultantes foram peneirados, também sob nitrogênio líquido e com a ajuda de uma pistola de massagem que fazia o pó de gelo atravessar as malhas, até atingir um tamanho controlado entre 125 e 180 micrômetros, mais fino que um grão de açúcar.

O substituto da poeira lunar também foi escolhido a dedo. Trata-se do simulante CSM-LHT-1, fabricado pela Colorado School of Mines, cuja composição reproduz as terras altas da Lua: setenta por cento de anortosito e trinta por cento de basalto. O anortosito, por sua vez, é dominado por plagioclásio, com uma composição química muito próxima da encontrada nas amostras trazidas pelas missões Apollo.

Com informacoes de Space Today.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.