Gabi Guimarães apoia Tifanny e denuncia falta de humanidade da CBV na proibição de atletas trans

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/09/2026 21:20
Gabi Guimarães apoia Tifanny e denuncia falta de humanidade da CBV na proibição de atletas trans

Foto: via GE

Gabi Guimarães, de 32 anos, está em fase avançada de recuperação de um problema na região lombar que a impediu de participar da Liga das Nações de 2026 e agora concentra seus esforços nos treinos para o Pré‑Olímpico Feminino, competição que tem início na terça‑feira, dia 8, no Maracanãzinho.

Após o treino aberto realizado na segunda‑feira, 7, a capitã da seleção manifestou apoio à oposta Tifanny, do Osasco, e condenou a postura da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ao banir atletas trans de competições nacionais.

Gabi relatou sentir profunda tristeza ao observar a forma como Tifanny foi tratada, destacando a ausência de consideração humana. A atleta, elegível segundo as normas da própria CBV, já disputava a Superliga há oito ou nove temporadas, construindo uma carreira sólida, mas foi subitamente excluída.

O comunicado oficial de exclusão chegou em uma sexta‑feira; no dia anterior, quinta, Tifanny ainda treinava com o Osasco e, de repente, ficou impedida de atuar na Superliga. A CBV justificou a medida como alinhamento aos critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI), embora tenha reconhecido que poderia ter escolhido outro momento para minimizar o impacto na vida e na carreira da jogadora.

A proibição foi oficializada em 14 de agosto, cerca de dois meses antes do início da Superliga Feminina, quando a maioria dos elencos já estava definida. Desde então, Tifanny tem recebido apoio de companheiras e demais envolvidos no voleibol. O clube Osasco está consultando órgãos nacionais e internacionais na tentativa de reverter a decisão.

Gabi manifestou esperança de que Tifanny seja liberada para disputar a Superliga 2026/2027, ressaltando que a atleta deseja concluir a temporada com dignidade antes de se aposentar e que merece a oportunidade de jogar e encerrar a carreira de forma respeitosa.

A CBV foi contatada pela reportagem, mas optou por não se pronunciar após os comentários de Gabi.

Em agosto, a CBV anunciou a adoção da política do COI para elegibilidade de atletas nas categorias feminina de quadra e praia. A nova regra exige teste genético negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino, admitindo exceção apenas quando avaliação especializada identificar condição rara que cause efeitos anabólicos decorrentes da testosterona. Os critérios passam a valer a partir das Superligas A e B da temporada 2026/27, da Supercopa 2026, da Copa Brasil 2027, do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e do CBVP Challenger 2027. A recusa em realizar a triagem não constitui infração disciplinar, porém a atleta que não comprovar elegibilidade ficará impedida de competir.

Na prática, a mudança afeta principalmente mulheres trans, com Tifanny sendo a primeira atleta transgênero a chegar à elite do voleibol brasileiro. Ela está autorizada a jogar o Campeonato Paulista, torneio regional, mas permanece impossibilitada de participar da Superliga, competição de âmbito nacional.

Enquanto a discussão sobre as novas regras segue nos bastidores, a seleção feminina busca garantir a última vaga continental para os Jogos de Los Angeles 2028. Nesta semana, a equipe disputará o Sul‑Americano, no Rio de Janeiro, que também funciona como Pré‑Olímpico, premiando a campeã com a classificação para LA 2028. A estreia será nesta terça‑feira contra a Venezuela, às 20h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pelo sportv2 e cobertura em tempo real no ge.globo. Em sequência, o Brasil enfrentará Peru, Colômbia, Chile e Argentina, em formato de fase única, sem mata‑mata; o título será concedido à seleção com melhor campanha. O Brasil acumula 15 conquistas consecutivas nessa competição.

Com informacoes de GE.

Tainá Ribeiro Alves

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