Fefe Schneider: A Nova Geração de Influenciadores
Diferentemente da geração anterior de celebridades digitais, Fefe Schneider é um exemplo de como a nova geração de influenciadores está mudando o jogo no universo digital. Com mais de 25 milhões de seguidores nas redes sociais, ela é uma das principais figuras da cena de true crime e entretenimento.
Até chegar a esse degrau, Fefe Schneider passou por seis anos de labuta com celular na mão. Isolada nos Estados Unidos, onde morava, decidiu produzir conteúdos sobre true crime, e deu certo. Hoje, ela é uma das principais criadoras de conteúdo sobre esse tema no Brasil.
Fefe Schneider define a nova geração de influenciadores como “creators”, que são mais criativos e querem mais informar o seguidor do que realmente aparecer nas redes. “É a pessoa que, de fato, não copia vídeo de outras pessoas, porque existe muito isso de pegar um conteúdo que vem de fora e traduzir para o português. O creator senta, escreve um roteiro, pensa no vídeo, pesquisa… É alguém que de fato não quer aparecer, mas vai por consequência. Quem quer fazer um conteúdo interessante e que vai agregar na vida de alguém”, define ela.
Enquanto estava nos EUA, Fefe via muitos vídeos de TikTok sobre crimes reais, casos de sequestro ou não solucionados. Logo percebeu que no Brasil não tinha ninguém falando sobre o assunto e decidiu se aventurar no vasto mundo policial. Tinha ali encontrado seu nicho – algo tão necessário a quem quer se destacar em terrenos virtuais.
Hoje, Fefe Schneider produz conteúdo sobre true crime no YouTube, com o apoio de um colaborador que pesquisa o tema. Ela também cursa Criminologia, de forma online, na faculdade Anhanguera, para entender como funcionam as investigações. “Já houve vários casos em que a própria família da vítima me mandou informações sobre um lugar para falar. Isso é recorrente, porque às vezes não encontram espaço no jornal para falar. Já recebi inúmeros casos de pessoas falando: ‘aconteceu isso aqui na minha cidade e me mandam informações’. Eu averiguo os dados com base em sites de notícia, tento sempre ser certa no que informo”.
Mas o real motivo pelo qual a criadora de conteúdo surgiu e ganhou espaço na internet foi para realizar o sonho de ser atriz. Formada em Artes Cênicas pela Casa de Artes Laranjeiras (CAL), atuou em Se Eu Fosse Você 3 e Tiros No Escuro, que fala sobre o massacre em um cinema em São Paulo, em 1999. Outros influenciadores acabam conseguindo um espaço nas telonas mesmo sem formação, diferentemente de Fefe: “Já perdi papel para pessoas que têm mais seguidores, mas não têm um DRT (registro profissional obrigatório). Se a coisa não é para ser minha, ela não vai ser, mas tem essa onda de influenciadores que querem migrar para o audiovisual”.
Só neste ano, Fefe Schneider protagonizou o longa Preto no Branco, ao lado de Caio Antonelli, filme que discute privilégios da branquitude e questões sociais contemporâneas. Gravou a série Quero Ser Alguém, de Matheus Souza, e o longa Sessão Final, ao lado de Werner Schunemann e Caio Paduan. Em paralelo, esteve no Oscar, a convite da TNT e HBO Max Brasil, produzindo conteúdo durante o Academy Awards.
Nos últimos anos, entrevistou nomes como Margot Robbie, Jacob Elordi, Jenna Ortega, Sydney Sweeney, Jared Leto, Tim Burton e Millie Bobby Brown. Com toda essa lista, o que não falta é história e perrengue. A criadora já passou por sufocos antes de conseguir entrevistar celebridades. “Começou a obra do lado da minha casa, no prédio da frente, e era uma britadeira que não deixava eu ouvir dentro da minha casa o que se falava. Saí chorando para o outro prédio pedindo para pararem por dez minutos, para que eu pudesse entrevistar. Na hora que abri a câmera, acabou”, conta, aliviada.
Com carisma, conseguiu deixar Millie Bobby Brown mais à vontade diante da micro-câmera do celular. “Ela estava cansada e não aguentava mais tanta entrevista num só dia. Fui fazer um jogo e no final ela já estava gritando, subindo na cadeira para responder. Senti que fiz o trabalho direito”, comemora.
Mais do que influenciadora ou atriz, ela vem tentando se firmar como uma ponte entre a indústria do entretenimento e o público jovem, ajudando a transformar grandes estreias, festivais e eventos globais em experiências digitais consumidas em tempo real. Fefe soube sair da micro-tela para todas as demais que vê pela frente. Nessa nova lógica da indústria do entretenimento, onde creator economy, audiovisual e o papel da Gen Z na cultura pop precisam dialogar de forma orgânica, seu “crime” preferido é estar conectada em todas as frentes.
Com informacoes de VEJA.

