PF descobre esquema de pagamentos a influenciadores para atacar Banco Central
A Polícia Federal realizou uma operação que apontou que uma organização do banqueiro Daniel Vorcaro pagava até R$ 2 milhões a influenciadores digitais para atacar o Banco Central nas redes sociais. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado como o principal articulador do esquema.
De acordo com a decisão, os pagamentos aos influenciadores eram feitos pelo próprio Thiago Miranda. Ele confirmou isso em depoimento. O dinheiro, porém, tinha origem em Vorcaro. Miranda disse que usava parte dos recursos recebidos pela venda de uma fatia do portal de notícias Léo Dias. Os valores eram repassados pela Super Empreendimentos e Participações, empresa do banqueiro.
Para a PF, os recursos vinham do esquema de fraudes financeiras do Banco Master — investigado pela Operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro em novembro de 2025. Ouvido pela PF, Miranda contou que conheceu Vorcaro na negociação da venda de parte do portal Léo Dias, por R$ 3,5 milhões. O banqueiro teria interesse em montar um conglomerado de mídia.
Depois da primeira soltura de Vorcaro, Miranda disse ter procurado o banqueiro com um 'plano de reestruturação de imagem e gerenciamento de crise'. Foi assim, segundo ele, que nasceu o Projeto DV, dentro da sua agência. O publicitário confirmou que o projeto previa 'matérias a serem veiculadas em mídia sobre a prisão e sobre toda a investigação relacionada ao Master'.
O grupo não se limitava a comprar postagens, diz a PF. Também vigiava quem incomodava. Miranda e Vorcaro discutiram estratégias contra a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que cobria o caso Master. Foram levantados dados financeiros, familiares e patrimoniais dela — de gastos no cartão de crédito ao carro que usa. O objetivo, segundo a PF, era constranger e desacreditar a jornalista.
Segundo a defesa de Miranda, a atuação profissional do publicitário sempre foi pautada pela 'legalidade, transparência, respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão'. Em nota, o advogado diz que ele não praticou 'ato criminoso' e 'não participou de condutas voltadas a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros'.
Com informacoes de G1 Política.

