Fed pode não precisar de aperto monetário tão agressivo, diz ASA
A instituição financeira ASA trabalha com apenas duas altas na taxa de juros americana, contra a expectativa de muitos economistas que projetam pelo menos três. A avaliação é da Andressa Durão, economista da ASA, que afirmou em coletiva de imprensa que os dados da economia americana ainda não mostram uma deterioração que justifique um ciclo mais agressivo de aperto monetário.
A guerra no Oriente Médio elevou o risco de inflação, mas esse efeito ainda não se materializou de forma relevante nos indicadores dos Estados Unidos. "Então, pensando em efeitos da guerra de fato nos dados, a gente não enxerga motivos para que o Fed precisasse correr para apertar a política monetária", afirmou Durão.
Segundo a economista, a economia americana continua resiliente, enquanto o mercado de trabalho está equilibrado e não apresenta sinais de pressão adicional sobre a inflação. O núcleo da inflação também não teria incorporado, até o momento, o impacto da alta dos preços de energia provocada pelo conflito.
"É óbvio que o aumento do preço da gasolina nos Estados Unidos bate no bolso do consumidor americano, mas a gente não vê o núcleo de inflação subindo. A gente não vê algum efeito secundário", disse Durão.
A economista acrescentou que os salários estão desacelerando e que não há, atualmente, uma pressão relevante vinda do mercado de trabalho. "Salários totalmente equilibrados, desacelerando, não tem nenhuma pressão vindo de salário", afirmou.
Nesse cenário, o ASA projeta que o Fed elevará os juros em 0,25 ponto percentual em setembro e repetirá a dose em outubro. A expectativa é mais branda que a de parte dos economistas, segundo Durão.
A mudança na percepção sobre o tamanho do aperto também passa, segundo Durão, pelo chamado "efeito Warsh". A chegada de Kevin Warsh à presidência do Fed havia alimentado no mercado a expectativa de uma política monetária mais branda.
A primeira comunicação de Warsh, contudo, teria frustrado essa expectativa. Segundo Durão, ao sinalizar que faria o necessário para levar a inflação à meta, o presidente do Fed conseguiu reforçar a credibilidade da instituição e provocou uma queda nas expectativas de inflação e alívio nos juros dos Treasuries de 10 anos.
"A primeira coletiva dele foi muito importante para garantir credibilidade", afirmou Durão.
A leitura, porém, mudou posteriormente. Para Durão, a comunicação mais recente de Warsh sugeriu que parte do trabalho de política monetária já estaria sendo realizada por meio da própria credibilidade do Fed, reduzindo a necessidade de utilizar a taxa de juros de curto prazo de maneira tão agressiva.
"Ele deu a entender que a credibilidade no banco central era parte do instrumento de política monetária, então que o instrumento taxa de juros de curto prazo do Fed seria só uma parcela do efeito para a política monetária que o Fed pretendia fazer", disse.
A reação do mercado foi negativa. Segundo a economista, houve abertura dos juros longos e aumento das expectativas de inflação.
"O Warsh acaba perdendo um pouco essa credibilidade e essa confiança no mercado de que ele de fato viveria a política monetária que o Fed pretendia fazer", disse Durão.
Com informacoes de Money Times.

