Euforia com petróleo no Brasil é considerada precipitada e eleitoreira, aponta análise da Folha

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/08/2026 14:00
Euforia com petróleo no Brasil é considerada precipitada e eleitoreira, aponta análise da Folha

Foto: via Folha de S.Paulo

A coluna de opinião da Folha de S.Paulo afirma que a euforia gerada pela descoberta de petróleo na Foz do Amazonas está sendo tratada de forma precipitada e com motivação eleitoreira, sobretudo no contexto da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula, ao visitar a região amazônica na última semana, declarou que a descoberta pode ser um "passaporte para o futuro deste país" e posou com as mãos cobertas de petróleo, pouco depois de a Petrobras confirmar a presença de um novo poço exploratório na Foz do Amazonas, que, na melhor das hipóteses, entraria em produção dentro de cinco anos.

A referência ao "passaporte para o futuro" remete à euforia de 2008, quando se confirmou a capacidade de produção na camada do pré‑sal. Naquela ocasião, a produção brasileira de petróleo era de 1,82 milhão de barris por dia; já no primeiro semestre de 2026, esse volume chegou a 4,23 milhões de barris por dia.

Em termos de exportação, em 2008 os óleos brutos e combustíveis representavam 9,4 % do valor total das vendas ao exterior. Nos últimos 12 meses, essa participação subiu para 17,3 %, e o valor exportado mais que dobrou em termos reais, atingindo US$ 63,8 bilhões.

Quanto à arrecadação federal, de 2000 a 2009 a receita proveniente do petróleo correspondeu a 2 % da arrecadação bruta. Desde 2022, essa participação tem girado em torno de 7 %, com picos que variam conforme os preços internacionais.

Apesar do aumento de receitas, o texto ressalta que as carências orçamentárias do Estado permanecem, citando o Fundo Social do Pré‑Sal como um item de confusão contábil, já que não faz sentido manter tal fundo diante de déficits fiscais elevados e financiados a juros elevados.

A análise aponta que a euforia com o pré‑sal levou governos petistas a modificar o marco regulatório do setor, o que acabou atrasando a produção. O incentivo estatal a produtores nacionais de equipamentos para a indústria petrolífera resultou, segundo a coluna, em falências, ineficiências e casos de corrupção.

O texto ainda menciona que a gestão do estado do Rio de Janeiro, descrita como desastrosa e criminosa, desperdiça recursos que poderiam ser aplicados de forma mais estratégica.

Em síntese, o ganho da União com o petróleo tem sido utilizado para cobrir despesas correntes, e não para financiar projetos de longo prazo. Caso a prospecção da Margem Equatorial confirme as expectativas, a produção seria suficiente para impedir o declínio previsto para 2030 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Contudo, por volta desse mesmo ano, a demanda mundial de petróleo deve atingir seu pico, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

A coluna conclui que, embora as estimativas estejam sujeitas a erros, o mapa de riscos e oportunidades está definido, e o país precisa de metas claras e de um plano que converta os recursos petrolíferos em pesquisa, desenvolvimento e na transição energética, áreas nas quais o Brasil ainda está muito atrasado.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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