ETFs de Renda Fixa Impulsionam Boom no Mercado com Bradesco e BTG na Ponta
Os ETFs, principal aposta do mercado financeiro para ano, seguem em forte expansão. Depois de terem encerrado 2025 com uma captação líquida recorde de R$ 23,1 bilhões, os fundos de índice já atraíram outros R$ 32,4 bilhões somente entre janeiro e junho deste ano, superando todo o fluxo registrado no ano passado, segundo dados da Anbima.
Para dimensionar esse avanço, um levantamento do ETFs Brasil junto com a Teva Índices mostra que os dez maiores ETFs lançados desde janeiro de 2025 já acumulam R$ 23,48 bilhões em captação líquida até meados de julho.
A predominância da renda fixa entre os ETFs é evidente. Dos dez fundos com maior captação líquida lançados desde janeiro de 2025, oito pertencem a essa classe de ativos. Juntos, eles acumularam R$ 20,84 bilhões em aportes até 20 de julho, o equivalente a cerca de 89% dos recursos captados pelo grupo.
O movimento acompanha o ambiente macroeconômico: com a Selic em patamar elevado, os ETFs de renda fixa passaram a oferecer uma forma simples de acessar títulos públicos e outros ativos pós-fixados, combinando diversificação, liquidez em bolsa e custos geralmente inferiores aos dos fundos tradicionais.
Outro diferencial que tem ajudado essa classe de ativos no “boom” recente está na tributação. Ao contrário dos fundos tradicionais, os ETFs não estão sujeitos ao mecanismo de come-cotas semestral. Além disso, a maior parte dos ETFs de renda fixa conta com alíquota única de 15% de Imposto de Renda, independentemente do prazo da aplicação, o que pode representar uma vantagem para investidores de médio e longo prazo.
Na avaliação de Laís Costa, analista da Empiricus Research, a expansão dos ETFs também é consequência de uma mudança estrutural no mercado de investimentos. Segundo ela, o avanço do modelo fee-based, em que consultores e assessores são remunerados pelo serviço prestado ao cliente, e não pela comissão de distribuição de produtos específicos, tem alinhado os incentivos em favor de veículos mais eficientes e de menor custo.
Costa destaca ainda que outro fator tem acelerado os lançamentos nos últimos anos: a percepção entre as gestoras de que quem chega primeiro tende a conquistar uma vantagem competitiva. “Existe uma percepção de que a primeira gestora a lançar um ETF de determinada classe de ativos ou tema sai na frente”, afirma.
O estudo mostra que, apesar da expansão da indústria, o mercado de novos ETFs continua concentrado em poucas casas. A Bradesco Asset lidera o patrimônio líquido dos ETFs lançados desde 2025, com R$ 14,5 bilhões, seguida pela BTG Pactual Asset, com R$ 12,6 bilhões, e pela Itaú Asset, com R$ 6 bilhões. Juntas, as três administram aproximadamente R$ 33 bilhões, praticamente todo o patrimônio dos novos fundos listados no período.
Com informacoes de Money Times.

