Entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo: fatos verificados e declarações classificadas como #FAKE

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 29/08/2026 12:35
Entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo: fatos verificados e declarações classificadas como #FAKE

Foto: globo.com/ap

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi entrevistado nesta sexta-feira (28) pela TV Globo, com condução dos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A entrevista faz parte de uma série realizada com presidenciáveis e, pela primeira vez, as sabatinas com os postulantes ao Palácio do Planalto são exibidas após o telejornal "Jornal Nacional".

A emissora convidou os seis mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos. O cronograma ficou assim: 24 de agosto – Romeu Zema (Novo); 25 de agosto – Ronaldo Caiado (PSD); 26 de agosto – Renan Santos (Missão); 27 de agosto – Luiz Inácio Lula da Silva (PT); 28 de agosto – Flávio Bolsonaro (PL); 29 de agosto – Augusto Cury (Avante).

Não é a primeira vez que declarações de Flávio Bolsonaro geram controvérsia. Em cobertura anterior o portal apontou seu esforço de angariar apoio empresarial na Faria Lima e a indicação de Cláudio Lottenberg para o Ministério da Saúde, caso vença as urnas.

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que a prestação de contas do filme “Dark horse”, cinebiografia do ex‑presidente Jair Bolsonaro, foi feita, inclusive na investigação da Polícia Civil de São Paulo, por exigência sua, antes dos 30 dias, e que viu essa informação publicada no site do G1. Essa declaração foi classificada como #FAKE. Em 13 de maio, o site The Intercept divulgou um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, solicitando recursos para financiar o filme. O ex‑banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores.

Seis dias depois, Flávio Bolsonaro afirmou em entrevista coletiva que solicitou à produtora do filme um relatório detalhado sobre a utilização e o destino dos recursos, a ser apresentado em até 30 dias. Em 15 de junho, o G1 publicou que a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go UP Entertainment, responsável por “Dark horse”, apresentou um laudo indicando que o longa‑metragem teria custado R$ 75,1 milhões, sendo R$ 54 milhões gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil. O documento, anexado a um inquérito da Polícia Civil de São Paulo, não continha informações sobre a origem dos recursos, notas fiscais, recibos ou comprovantes de transferência bancária.

O laudo foi elaborado por perito contratado pelos advogados da empresária, que afirmou ter utilizado contratos, planilhas financeiras e extratos, mas reconheceu não ter acessado o fundo americano Havengate, apontado como destinatário das transferências feitas por Vorcaro. A Polícia Federal considerou a análise do caminho do dinheiro fundamental para entender a origem e o destino dos valores. O relatório foi incluído em um inquérito da Polícia Civil envolvendo uma ONG de Karina Ferreira, que tem como alvo um contrato de R$ 108 milhões para a instalação de pontos de Wi‑Fi na periferia da capital paulista, firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), pertencente à empresária e localizado no mesmo endereço da Go UP Entertainment. A investigação verifica se o dinheiro originalmente destinado à instalação de Wi‑Fi foi usado na produção do filme. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal está apurando os repasses de Vorcaro para a produção, sob relatoria do ministro André Mendonça.

Em outro trecho da entrevista, Flávio Bolsonaro relembrou homenagem feita em outubro de 2003, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, ao tenente Adriano Magalhães da Nóbrega, destacando sua “dedicação” e “brilhantismo”. Segundo o senador, a homenagem ocorreu antes de Adriano ser acusado de homicídio. Em outubro de 2005, quatro dias após a condenação de Adriano em júri popular, o então deputado federal Jair Bolsonaro, pai de Flávio, fez discurso na Câmara dos Deputados em defesa do militar, alegando que a acusação teria sido fruto de política institucional que punia o policial antes de comprovar sua inocência.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.