Entenda como o smartwatch detecta o sono: sensores, IA e a ciência por trás das luzes verdes
As luzes que piscam na parte traseira de um smartwatch podem parecer simples, mas fazem parte de um conjunto de sensores capaz de converter sinais invisíveis do corpo em dados exibidos na tela.
Um dos principais sensores do Galaxy Watch opera com fotopletismografia (PPG). O dispositivo emite luz sobre a pele e analisa a forma como essa luz é absorvida e refletida pelos tecidos; o sangue altera essa resposta óptica a cada batimento, permitindo que o relógio estime a frequência cardíaca. A luz verde se destaca por sua eficiência em captar variações de volume sanguíneo, enquanto comprimentos de onda vermelho e infravermelho fornecem informações adicionais para estimar a saturação de oxigênio (SpO₂), já que a hemoglobina absorve cada cor de maneira distinta conforme o nível de oxigenação.
Como explica Otávio Penatti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em IA para saúde e bem‑estar no centro de P&D da Samsung no Brasil, o sensor óptico não “vê” o coração, mas observa mudanças no fluxo sanguíneo próximas ao pulso e converte essas variações em sinais digitais que podem ser processados.
Além da frequência cardíaca, a fotopletismografia gera dados que, combinados com outras métricas, permitem interpretações contextuais. Por exemplo, 100 batimentos por minuto podem indicar esforço durante uma corrida ou simplesmente repouso na cama; por isso, o sensor óptico trabalha em conjunto com outros componentes.
No Galaxy Watch, o chamado Sensor BioActive integra as tecnologias ópticas a um monitoramento contínuo de biométricos, enquanto o acelerômetro detecta movimentos e alterações de posição do pulso. Essa combinação garante que o relógio registre tanto variações fisiológicas quanto comportamentais.
O acelerômetro, responsável por captar mudanças de aceleração em diferentes direções, e o giroscópio, que fornece dados de rotação e orientação, colaboram para identificar padrões de movimento mais detalhados do que seria possível com um único sensor. Durante uma corrida, por exemplo, os movimentos repetitivos do pulso e o aumento da frequência cardíaca são cruzados pelos algoritmos para reconhecer a atividade física.
Para determinar que o usuário está dormindo, o Galaxy Watch não se baseia apenas na ausência de movimento. O acelerômetro registra micro‑movimentos e mudanças de postura, enquanto o sensor óptico acompanha a frequência cardíaca e suas variações. Algoritmos de inteligência artificial analisam esses sinais ao longo do tempo, aprendendo as sutilezas que diferenciam o sono de um estado de imobilidade, como leitura ou assistir TV, e estimam o início e o fim das sessões de sono.
Com informacoes de Canaltech.

